segunda-feira, 26 de julho de 2021

Alinhavos


Dia a dia costura a vida.
Cada linha é um caminho,
Cada movimento no pedal da máquina de costura antiga é roda que gira e guarda o tempo, as memórias, as lembranças.
Vai fiando histórias, alinhavando sentimentos que se bordam em desejos de encontro, de afetos e abraços.
A agulha e a linha conversam e cerzem a saudade:
Os cueiros que envolviam o filho no colo,
as mantas com babados que cobriam o bebê nos braços ,
os vestidos iguais para as três filhas feitos de tecido de bolinha com bolsos enviesados.
Na velhice não envelhece o cuidado.
Nas mãos da mãe, avó, bisavó se fia com sentimentos, o tecido essencial a ser guardado.
Na alma, modela vestes majestosas,
O amor cingido e costurado.

Paula Belmino


 E em homenagem ao dia das avós deixo esta dica de livro maravilhosa de Pablo Morenno publicado pela Editora Phisalys
Quem desejar adquirir pode ter 20% de desconto usando o código #POESIADOBEM20








terça-feira, 20 de julho de 2021

Amigo Secreto



Que amigo é este
Que me faz tão feliz?
Não importa sua condição
Sua cor, seu jeito,
A amizade é quem o diz.
Quem é este amigo do peito?
Mesmo distante
Está bem perto da gente
É fiel e nas horas difíceis
Nunca se mostra indiferente.
Quem pode ser chamado assim
Um amigo de verdade ?
Companheiro de todas as horas
Torce com a gente, dialoga, faz da vida
Pura felicidade.
Não é segredo,
É pura realidade.
Não se precisa de multidão
Basta ter alguém assim
Que saiba o que é amizade.
Paula Belmino



Fiz este poema inspirado no livro lindo de Eliandro Rocha
Amigo secreto com ilustrações de Sandra Lavandeira publicado pela @calliseditora


Um livro que nos faz refletir sobre as diferenças, sobre as pessoas que nos completam, sejam engraçadas, sérias, altas, baixas, falantes ou caladas. Cada amigo que a gente faz, tem um jeito, uma habilidade, uma forma de nos fazer feliz.


No livro o amigo secreto pode ser substituído por aquele que se guarda no coração, como já disse o poeta Milton Nascimento " amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves " em segredo, no mais profundo da alma.
Feliz dia do amigo, amigos!



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Vejam a resenha da Alice



quarta-feira, 14 de julho de 2021

Vaga-lumes



À luz
O vaga-lume
Leva a noite escura.
São estrelas, são fagulhas
Efervescente luminar.
À luz
Vaga-lumes transportam almas
São anjos luminosos
Seres milagrosos
Quando nos iluminam a piscar.

Paula Belmino


Infelizmente os vaga-lumes correm risco de extinção seja pela poluição, desmatamento, queimadas. Ontem vi no JN a notícia do incêndio no Mato grosso que destruiu parte da reserva do parque das emas no Mato Grosso, e consumiu os cupinzeiros onde os vaga-lumes deposita suas larvas e que mesmo ainda neste estágio de vida produzem luz, o chamado fenômeno Bioluminescência que ocorre entre outubro e Novembro e que pelo fogo podem desaparecer. Dá uma dor no coração ver a natureza ser extinta por ações desumanas.

Matéria aqui



segunda-feira, 12 de julho de 2021

Contemplação

 



É preciso saber ver a grandeza da vida

nas pequenas coisas, 

nos relances, nas miudezas, a graciosa existência.

E ao saber olhar, com prazer, admirar a vida

a natureza e tudo que nela há,

sem retirar folha alguma

e por conseguinte, bicho algum, vida nenhuma.

Da natureza nada tiramos,

e sim, doamos toda nossa admiração,

Admirar do verbo contemplar,

E com imensa consideração ver,

Respeitar, e valorizar as pequeninas

porções de afeto, gentileza, milagre.

Saber ver é enxergar-se melhor

E perceber que a natureza é a felicidade

A voejar sob nossos olhos

e para sempre, fazer pouso em nosso coração.

 

Paula Belmino




 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

O melhor presente

 



Livro na mão da criança
Enche se alegria o tempo
Renova a vida de esperança.
Livro na mão da criança
Desenvolve a imaginação
Incentiva o ler
Como prazer e diversão.
Livro na mão da criança
É amor e afeto
É direito da infância.
Paula Belmino


Com muita alegria colho sementes de leitores amorosos, crianças incentivadas à leitura poética com meu livro Bichonário Poético recém lançado pela Editora CJA cm ilustrações de Laura Mocelin








O livro tem chegado à escolas, bibliotecas, centros de reforço








O livro traz 26 poemas de A a Z com apresentação de José de Castro

“Bichonário Poético”, como o próprio nome diz, é um dicionário que traz verbetes versificados de A até Z, no qual a autora de “A menina que sabe chover” inventa histórias divertidas, desde as aventuras de uma arara, de um dromedário, de uma égua – que gosta de gafieira e de ouvir canções de Luiz Gonzaga – até mesmo a um falcão papa-figo e a um gato preto apaixonado, dentre outras. Crianças de todas as idades apreciarão essas personagens que Paula Belmino bem soube colocar em versos, alguns deles em trava-línguas como o do rato que rói rede e roupa e tudo o que encontra em seu caminho. Conhecerão bichos de outros países, como o Kakapo e o Wombat. Para encerrar, na letra Z, uma zebra que resolve criar um visual novo para si. O livro conta com ilustrações de Laura Mocelin que dão um colorido especial ao texto inventivo da autora.

Adquira o seu na loja virtual ou comigo pelo pix (84) 996523372










segunda-feira, 28 de junho de 2021

Dica de Livro: O garoto da camisa vermelha






A favela ecoa um estrondo
O barulho de bala tira o sono
Tira esperança, destrói vida.
Juninho se desafia a esquecer essa melodia triste, prefere ouvir histórias, sonhar acordado. Depois dorme sonha e ao acordar saiu para brincar, mas brinquedo ali não havia
O menino da camisa vermelha
Mora numa casa amarela
Bem no alto da favela,
Tão alto como o desejo de habitar outros mundos, que não seja o lixão, que não seja destruição.
Ali bem no meio do lixo, Juninho achará um novo caminho, um tesouro
Tudo poderá mudar.



📒 O garoto da camisa vermelha



Livro lindo escrito por Otávio Júnior e ilustrado por Angelo Abu publicado pela Editora Yellowfante

Este é mais um dos recebidos da parceria um livro para sonhar um mundo melhor para meninos e meninas que como Juninho têm o direito à vida, educação e uma infância feliz.

Para comprar

terça-feira, 22 de junho de 2021

Dilúculo

 



      Amanhece outra  vez.  Mas o dia traz o céu azul desbotado, e esconde o vigor das manhãs.        
     O sol tímido, parece demorar a aquecer, e  como quem boceja e se espreguiça,  vai deslizando pelo telhado, se esticando fraquinho, sem fazer alardes. De tão fraquinha a luz, o pouco  calor não acorda de vez todos os passarinhos,  e se ouve na manhã desalenta  apenas um piar aqui, outro lá. Talvez, filhotes de pardal famintos  chamando os pais. Dormiram mais? O sol parece não querer brilhar.
    O céu empalidecido  traz a manhã silenciosa,  melancólica.  A moça  abre bem a janela, e o gato que dorme, aos seus pés na cama se refastela, boceja,  lambe os bigodes, aperta os olhos, pisca e depois fecha, reabre-os outra vez quando as suas orelhas detectam um pardal no telhado baixo que ampara por fora a janela, impedindo que a chuva  adentre o quarto.
    O gato, assim como a luz do sol também se estica, desliza as patas, lambe-as espreguiça-se, levanta com cuidado, e com destreza pula à janela e se permite alongar em seu peitoral, ouve desatento o canto do pardal.  A manhã preguiçosa lhe acalma o instinto de buscar passarinho.
    A moça lê um livro, Clarissa de Érico Verissimo,  se transporta no tempo, na história,  para a vida da personagem  principal.  E sente que mesmo outra cena, outra paisagem se assemelha à sua. Uma manhã melancólica,  um sol tímido,  um céu desbotando azul, pincelam poesia.
     Há  silêncio, o pardal já não pia. Não se ouve o vento, a cortina não se move. Na janela o gato é calmaria.
    A moça  tenta escutar algum som, as galinhas do vizinho,  o galo que não cantou,  talvez por isso este sol macio. Não se ouve cacarejar algum, decerto no quintal da vizinha,  delicadamente, as galinhas  ciscam o vazio. Que comem? Não há minhocas , muito menos milho. Talvez se alimentem de um fio de luz tocando os grãos de areia, de  fantasia.
   O gato dormita, o livro fechado. O silêncio grita.
   A manhã se enche de doçura,  de sonho, de preguiça.  
   A moça fecha os olhos, esquece  o mundo e outra vez cochila.


 

Paula Belmino