sábado, 23 de setembro de 2017

Dandi e a árvore palavreira.





Dandi era um menino sonhador.
O filho caçula de uma família grande com mais 4 irmãos, João, Jonas, Jacira, Janaína e ele Jurandir que apelidado carinhosamente virou Dandi


Dandi sonhava em conhecer a escola, pois moravam no sítio e a escola ficava longe e a família não podia arcar com as despesas de todos os filhos.No entanto eles tinham uma tia, a tia Tonha, que além de fazer doces gostosos, também ensinava as primeiras letras a ele e aos irmãos.


Dandi ajudava os pais a cuidar da roça, tirava leite da vaca e o momento que mais gostava era estar com seu avô Chico ouvindo histórias.


Vô Chico, descendente de índios e negros, usava um chapéu de palha e um cajado e  sabia o que era viver. Contava histórias de um tempo passado, de guerras, de gente que se perdeu e nunca mais foi achada, historias de escravos, de lendas, como curupira e boitatá, coisas de deixar qualquer um assombrado.


Um dia Vô Chico leva o menino a conhecer um lugar misterioso, um segredo no meio da mata, uma árvore diferente que ao invés de frutos dá palavras... algo mágico de se conhecer, pois só vê a árvore que crê na lenda que ela lhe conta e por ela foi criada.




Essa é a história linda escrita por Ana Cristina Melo com ilustrações de Patrícia Melo que fala de amor entre um menino e seu avô, de uma família numerosa e unida. É um livro que resgata a importâncias da cultura, e de nossos descendentes, é um ato de cidadania, e de enfrentamento, de pertencimento e autoconhecimento de nossa história de forma terna, lúdica, um convite a sonhar e brincar e imaginar .


As crianças ouviram na escola, lido o livro ainda no pátio, para todo o turno, uma maneira de celebrar o dia da árvore e a chegada da primavera.
Depois em sala , os meus alunos recriaram e fizeram uso da escrita criativa, recontando a história em forma de quadrinhos, com belas ilustrações. E quando o trabalho ficou pronto fomos pendurar os livros frutos na nossa árvore de jardim, para que a árvore palavreira tomasse vida própria. Com os livros ali expostos as turmas podiam ler um do outro, comentar, ver os desenhos e sonhar, imaginar-se ali embaixo da árvore palavreira a escrever palavras que guardarão no coração.

Vejam:








Para conhecer e comprar o livro:

https://www.editorabambole.com.br/livro-dandi-e-a-arvore-palavreira


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Primavera em flor


Flor da manhã
abrindo o sonho
a luz na vida
colorindo o mundo.


No bico do beija-flor
o néctar da vida.
O som do amor
em suas asas coloridas



Todos em torno do jardim
esperam nascer a esperança
anseiam perfume de primavera
nessa flor, terna criança.

Paula Belmino
 


Fotografia da Alice por Alberanir Gomes
Alice usa Lecimar

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Brincar de Amarelinha



Pra brincar de amarelinha
se risca um diagrama
com o dedo na areia
giz na calçada
faz quadrados em cadeia.


De uma ponta à outra
Pula num pé só.
Até chegar à asa
sem pisar na risca
e nem na pedra da casa.


Joga de novo a pedra ao léu
mas se cair na linha
o jogador perde a vez.
Vence quem chega primeiro
fazendo o percurso com rapidez.


Mexe o corpo sem cansar
na asa a criança pisa os dois pés
e se imagina voar
É coisa de criança
ir do inferno ao céu a pular.


Paula Belmino

*Fotografia de Alice por Flávia Alves

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Constelar Poesia







Constelar poesia

Estou  sempre a vivenciar poesia
a plantar sementes de esperança
a ver brotar nas crianças 
o sonho da poesia revelada,
a fina flor se abrindo nas mãos, 
nos olhos,
pelos poros,
da cabeça aos pés.
E sempre ali envolvida pela poesia
me visto na ternura da infância
e dispo a realidade dura
para abrandar o coração 
face à fantasia e à imaginação.
E vejo olhos nos olhos
a erva pueril que flora
no âmago dessas doces criaturas
a alma de  seu pensamento,
iluminando-se 
no brincar com as palavras 
a viver plenamente
toda poesia que incide
sob a luz do saber ler
sentir, cheirar
experimentar poesia.
O sorriso puro da criança confirma:
A poesia brota do sonho.
É vida e sentimento
é alma, é voo, é flor.
Como o trigo que cresce 
e se transforma em pão
a poesia é alimento pra saciar a fome 
de quem sofre de amor.
E acima de tudo é luz
 constelações a iluminar a gente por dentro.

Paula Belmino


Poesia inspirada nas vivências poéticas, no experimentar a gratidão, a emoção de ver as crianças fazendo festa com meus poemas.
Hoje fui à escola onde trabalho Francisco Jerônimo no contra turno para receber a homenagem e ver as produções das crianças com alguns de meus poemas, juntamente com o poeta da terra Chagas Gomes.
Foi uma festa de leitura, recital, encenação, produções textuais. Os professores juntamente com a sala de leitura fizeram durante algumas semanas essa vivência do ler, brincar, experimentar, sentir, expor, apresentar. Tudo que a poesia quer: ser vista a olhos nus com amor e constelar esperanças nos corações.

Vejam só algumas imagens:













Uma poesia pela aluna Ana Clara


A Alice não pode estar presente hoje, mas ainda ganhou um cordel do poeta Chagas Gomes 
e já se encantou
vejam:


Quero agradecer à equipe gestora, professores Edilson e Albanita e Vitória Lópes responsável pela sala de leitura pelo maravilhoso trabalho com  meus singelos versos!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Espanto


Vivo de assombros...

Qualquer barulho lá fora
me chama cá dentro.
O murmúrio do vento,
a chuva tocando a janela,
A voz do sentimento!

Dentro de mim sou puro som,

Um canto em meu silêncio.
Minha alma vive à espreita

Grita dentro de mim

acoado,
o tempo!


Ao sopro de uma tempestade

raios e trovões

me trazem espanto,

Assombração!

Dentro de mim

a alma entoa

o canto de uma sereia,

a chamar o amor,
Àquele primeiro,
Escondido no oceano
por receio de amar,
o medo!


Paula Belmino

Esse poema está no livro: A poesia que mora em minha alma. E é participação do Prêmio Miau produzido artesanalmente pela empresa Costelas Felinas
Amei!!!


domingo, 17 de setembro de 2017

As Hortênsias de Nossa Alma



As hortênsias me chegaram às mãos pela ternura do olhar
um tempo de espera, de sonhos, um tempo de minha vida que é impossível deixar para trás.
Foi ainda na juventude quando deixei meus pais aqui no RN e fui morar com meus tios em Goiás , lá a tia Ivone cuidava com muito carinho e cuidado de hortênsias rosas e azuis no jardim verdinho, com intensa grama, algo que eu na minha vida toda até ali, nunca tinha visto, pois vindo do meio do sertão as flores tão delicadas não sobreviveriam ao clima tão seco. 
E foi assim também com cuidados afins, que vivi dois anos de minha vida, longe da família, longe do amor de minha mãe, e como uma flor eu via que a alma não resistiria aos ventos da saudade, a espera, à dor da solidão, sim, a me sentia solitária mesmo em meio ao novo,mesmo ao lado de novos amigos, novas oportunidades que me faziam crescer e se desenvolver. Era da família e do lar que eu mais sentia falta. E deixei assim que a vida me conduzisse pelos sinais da natureza. Tudo ao redor era saudade, menos quando eu via os jardim enfeitados, as grandes hortênsias florescendo como quem me dissesse tudo é um tempo!Era tanta água, tantos cuidados... E me fiz flor em meio aos espinhos.
O tempo passou...
As hortênsias voltaram novamente em minha vida quando tudo perdi... Meu primeiro filho, a saúde, quase a vida num trágico acidente, e numa  reviravolta do destino fiquei morando em São Paulo para me tratar, assim as flores se abriram novamente em meu olhar, na minha alma, quando venci as dores, as perdas, o luto aos poucos, dia após dia, um passo de cada vez, como as hortênsias que florescem todo ano, passando pelo processo de se revestir de formosura, sai da vida de espinho para contemplar as flores. Nesse tempo tive a satisfação e privilégio de ser agraciada pela maternidade, as hortênsias florearam meu coração... Um menina nasceu, terna, fina, delicada e todas as flores eram para ela.
Como pode ser a natureza tão sábia? Pinta, pincela de luz e cor, dá exemplo de resiliência em meio ao calor e à falta d'água, e nos mostra que é preciso paciência, esperança e fé para ver as pétalas perfumarem nosso sorriso, encantado de flor a vida.
E assim a menina Alice cresceu , sua primeira infância em meio às hortênsias.





Hoje voltamos ao sertão, por aqui não vemos hortênsias em florescência, mas elas estão lá na minha alma, no olhar da Alice que cresce linda e cheia de amor. A nossa alma  foi bordada de luz, e as hortênsias florearam nosso caminho, e guardadas intactas estão na nossa memória afetiva, e quando for tempo, sempre em tempo, Deus nos dará novas oportunidade de primavera, e voltaremos a acariciar as flores de nossa juventude, a sentir o perfume de nossa infância rebuscada.

É o tempo da delicadeza!


Paula Belmino

Texto real e inspirado na brincadeira da Chica no Brincar de Poesia
Para participar clica na foto!




Botando a cabeça pra funcionar 24


Sete Cartas de Outro Planeta



Sete cartas de outro planeta
uma menina entediada
sozinha no seu quarto cor de rosa, a inventar brincadeiras, sem disposição para mais nada.
Os pais ocupados,
o irmão jogando video-game
a menina sem ter com quem conversar 
sozinha no quarto descobre um segredo
Um Extraterrestre passa ali, deixa uma carta pedindo para brincar, os pais sem tempo nem desejam olhar
A segunda  carta pede desculpa, fala de remédio pra alma, e mais uma vez ninguém na casa ler, só a menina que no quarto se cala.
E assim o dia inteiro, uma carta atrás da outra. O extraterrestre oferece robô, que faz tudo na casa, a menina até tenta mostrar aos pais , mas eles estão ocupados demais.
E assim ela deseja que o ET fosse menina, que com ela brincasse, conversasse...
Até que chega por baixo da porta uma resposta , um envelope com três cartas do pai, da mãe, do irmão endereçados ao Extraterrestre falando de amor, de cuidado, de tempo.




Essa história Sete cartas de outro planeta de Ana Cristina Melo com ilustrações de Patrícia Melo pela Editora Bambolê é linda e com ela as crianças puderam falar sobre sentimentos e sensações, quando pedi a elas que escrevessem uma cata ao Et, saiu tanta s coisas, desde que os pais deixam de castigo, que as crianças se sentem sozinha por não er irmãos, que a escola é boa , que amam brincar e ler. E muitas perguntas também para saber como é no planeta do etezinho, se tem piscina, se tem livros, e biblioteca, se ele tem irmãos, se lá tinha escola.
O escrever a carta a um ser imaginário fez com as crianças se colocassem como personagens principais do livro e na fantasia falassem d que talvez não dissessem se fossem perguntado olho no olho.
As crianças até reclamaram que eu sou chata as vezes quando cobro demais, ou brigo com algum colega.( Não tem como por vezes não reclamar  não é crianças)
Essa atividade foi um exercício de libertação da fantasia, da imaginação, do colocar para fora sentimentos e frustrações, anseios e desejos.
Depois de escrever as cartas também trabalhamos o envelope que elas criaram o endereço do destinatário por ex: Rua das estrelas, rua da escuridão, planeta marte, planeta da luz. Uma boa dose de brincadeira e ludicidade para falar de assuntos sérios que é o sentir, o ser, o viver de cada criança.