segunda-feira, 6 de julho de 2020

O amor é borboleta








O amor é  delicado como asas de borboletas. 
Um vento forte demais esgarça a trama e a sutileza de suas cores.
O amor é  sensível tal como as antenas da borboleta que percebe afrontas e rumores de morte, e em qualquer terreno impróprio, desmaia e se esvai.
O amor é uma borboleta frágil e indefesa. Ferida em lugar inóspito,  moribunda, anseia a mão que a salve, o coração  bondoso que acolha, o jardim que lhe sare das agruras vividas.
O amor nasce e morre todo dia, feito a pequena borboleta machucada, com asas dilaceradas, olhos inertes, cores desbotadas... 
O amor morre na dor da inospitalidade, mas renasce em um outro jardim, numa outra flor, noutras mãos e no coração de quem sabe quanto é  terno o amor, 
Leve e raro, como asas de borboletas em dia azul claro.
O amor é uma borboleta, dengosa,
E há  de se ter por ele,  imenso cuidado
Para que renasça sempre em lugar apropriado. 

Paula Belmino


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Quando Chega Junho



Sertão Junino

Gosto de colorido
Das cores de meu sertão
Nas colchas de retalho,
No xadrez, nas fitas do meu cordão.

No vestido de chita
Nas flores da estação
Nas casas de barro pintadas
Das festas, a animação.

Gosto de brincar feliz
Soltando pipa, jogando pião
Nos festejos juninos
Soltar chuveiro e rojão.

Gosto das cores vivas
Do céu pintado de balão
Das bandeirinhas que enfeitam
A noite toda, as festas de meu sertão.

Paula Belmino



E o mês vai findando,muita saudade no coração.
Tempo de refletir, de olhar pra frente, mesmo quando a emoção dos dias idos
nos prende a atenção.

Termino o mês com a poesia de meus poemas  com temática junina que virou E-Book pela Editora InVerso





E um vídeo lindo com meu poema "Juramento Junino" que ganhou ilustração da Duda Weis


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Em tempos de Pandemia, São João com Poesia






E este ano tudo diferente, as escolas fechadas, as crianças em casa, sem arraiá, ainda mais agravado pelo fato de que com decreto também não se pode acender fogos e fogueira. Pensando assim criei alguns poemas para conscientizar o viver o momento, apesar de todas as dificuldades, celebrar do seu jeito, com comidas típicas, vestimentas, dança e cantigas e leitura.
Os professores de sala de leitura foram orientados a ler e gravar vídeos com poemas temáticos e orientar aos alunos a ler, inventar brincadeiras das festas juninas, se fantasiar, ler e recitar e também criar seus próprios textos.







Professora Sandra Ferreira



Os alunos fizeram uma festa em casa. Muitos , mas muitos de forma criatividade, fizeram barraquinhas , deram a receita do prato tipico, tocaram violão e sanfona, dançaram, leram, escreveram.
Os vídeos são postados na nossa página Ciranda Literária


Aqui alguns deles:


Arthur e Crystal




Ester e sua irmã



Katharyna


Thomas



Todo este incentivo e reflexão sobre viver estas festas sem aglomerar e respeitar o isolamento social, além de não acender fogueiras rendeu matéria ao Jornal do Estado do RN, pela TV Ponta Negra que mostrou o trabalho dos alunos e dos professores de Sala de Leitura, eu apenas coordeno e oriento com amor para que este trabalho de leitura com arte e paixão aconteça nas escolas municipais.

Vejam o jornal





Para ver mais alunos recitando e os trabalhos nas escolas visite a página Ciranda Literária 

domingo, 21 de junho de 2020

Iro-Iro, o vaga-lume e um ovo de Páscoa






Livro é para o sonho

Como a poesia é para a vida.
Histórias são abrigadas em nossa memória,
Como o afeto em nosso coração.
Livros são estrela azuis,
esperança, ponte e abrigo
e necessários como o pão
para a nossa existência.


Paula Belmino

A vida é feita de ciclos, de beleza, das conquistas e dos dias difíceis. Temas que precisam ser dialogadas, tratados, e com ajuda dos livros ficam mais fáceis. .

A dica de livro hoje é o lançamento do autor Pablo Morenno pela Physalis Editora
Iro-Iro, o vaga-lume e um ovo de Páscoa com ilustrações de Carla Furlanetto

A história é contada por um passarinho que viu o protagonista nascer, o menino Gabriel, com quem conversa, conta segredos, fala da vida, da dureza dia dias,mas também da beleza do existir. Fala de esperança e sonho, e de morte e luto, usa a poesia para alentar, e a força da natureza para explicar que a vida é feita de ciclos.
A história mistura realidade é fantasia, imaginação e criatividade, ludicidade e temas difíceis de falar, mas precisam ser debatidos e enfrentados, com literatura que nos ajuda a fazer travessias e resignificâncias.

Livro maravilhoso e necessário para ler adultos e crianças.






sábado, 13 de junho de 2020

Oração Junina






                                                              Oração Junina

Valei-me meu Santo Antônio!
O mês de junho  chegou
Esse ano não tem festa,  nem fogueira
E a simpatia pra se arrumar um amor?

Valei- me meu São João!
O tempo  de ponta-cabeça virou
Não tem quadrilha no arraiá,
Casamento matuto encalhou.

Valei-me São Pedro!
Aqui caiu  tempestade
Derramou-se chuva de lágrimas
E a tristeza no peito arde.

Ah! Meu mês de junho!
Tanta festa e folia,
Bandeirinhas, pau de sebo,
Brincadeiras, comida típica e pescaria.

Valei-me meu Deus do céu!
Esta noite triste, nunca vira dia
Eu sonho olhando a lua
Conto a ela o que eu queria:

A família reunida em volta da fogueira
As crianças a brincar,
O sanfoneiro tocando,
Todo mundo feliz a dançar .

A celebrar  no mês de junho
A bela festa popular.


Paula Belmino

A Aluna Alana da Escola Municipal Edmo Pinheiro em Parnamirim, é uma leitora assídua e já entrou na brincadeira.


Os professores enviam os vídeos para os alunos convidando a participarem do projeto de incentivo à leitura, escrita e de desenvolver as habilidades, expressão corporal, oralidade, bem como unir a tradição das festas populares para valorizar a nossa cultura.

A professora Maria Nazaré Araújo já fez o seu convite:



**Arte das Imagens de Maria Cininha

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Juramento Junino









Bandeirinhas coloridas

cruzadas em fileira
Flores,  chita, e palha
Enfeitam a janela.



A criança  observa  a rua

E conversa com as estrelas
É  noite de São João
E a lua  é  testemunha:
A rua  tá  deserta,
Apagada a fogueira.



Mesmo assim, o  coração arde

Uma brasa o peito queima
A poesia pulsa e dança
Como as bandeirinhas ao vento.



A criança  na janela

Veste  chita e esperança
E na noite de São João
Faz um juramento :
Ser feliz e
viver intensamente o momento.
E espera da janela
Avistar  um novo tempo!!
Paula Belmino

A Laurinha Eduarda se enfeitou toda para fazer este Juramento Junino e além dela tem muitas crianças participando do Projeto "São João de Poesia" Os professores enviam vídeos recitando o poema  eles criam, enfeitam-se , recitam, dançam. 
Logo mais trago aqui, mas podem acompanhar na página Ciranda Literária 





quarta-feira, 3 de junho de 2020

Solidão Junina





Nasceu Junho
No peito, canta a saudade
Em sonho atiro o chapéu pra cima
Vejo o céu enfeitado
Salpicado de estrelas.
É noite de São João.
Bandeirinhas bem coloridas
No quintal cruzam a fogueira
Convidam Zé, Maria e Chiquita
Para dançar a noite inteira.
Mas Junho é solidão
Cada um em sua casa
Tempo de introspecção
Acender o amor feito brasa
Mandar ao céu uma oração
O pedido sobe como se fosse balão
Adira a lua e deseja
Que logo mais se faça festa!
Todos juntos a dançar
Xote, forró e baião
Todos a dançar.
É São João
Não há melhor festa que esta!

Paula Belmino

Arte de Alfredo Volpi