sábado, 19 de novembro de 2022

Tesouro

 





Se há um presente valioso

Que dinheiro não pode comprar 

É o prazer que se sente ao ler

O amor que o livro nos dar.


Não há bem maior 

Tesouro no mundo não há 

Algo que transforme o ser

Faça a mente fluir, a alma levitar.


Livro é melhor presente 

A oferta que é pão 

A saciar o corpo e o intelecto 

Fazendo sonhar o coração.


Livro é riqueza

Tesouro inestimável 

É pedra preciosa

O Amor inigualável.


Quem recebe um livro 

Ganha o presente mais caro

Que dinheiro não compra

Pois tem em si o poder raro.


Livro liberta, enriquece,

Acalma,  educa, transforma

Enobrece,  e faz do néscio um sábio

Livro é presente que forma.


Paula Belmino 

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Aproveitamos o feriadão pra descansar,  fotografar nossas leituras com livros lindos como:


📗 Sobre as coisas que eu não sei de @drikaduartefreitas

@editoracja 


📕 A menina, o menino e o fio do tempo de @lenice_gomes_

E Claudia Lins @autoraclaudialins  ilustrado por Ddaniela Aguilar @sabereseletras 

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📗 O reino dos bichos  e Histórias e Poesia ambos de @joseacacirodri @editoracja

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📕 A cozinha da Maria-farinha de @jdecastro9  @paulinas_natal 

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📗 ABC do Brincar.  Brinquedos e brincadeiras de A a Z de minha autoria ilustrado por @juengell editado por @marciapaganini  @editoraalumbre 


As fotos lindas são de @amandadantasfotografia no lindo hotel  @nataldunnashotel

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Lembranças de Festa Junina




      São João tem cheiro de infância,  de festa, de lembranças.

        Era um tempo diferente. As noites frias eram aquecidas pela alegria no olhar,  pelos abraços dos amigos, e no aperto das mãos dos padrinhos e afilhados fazendo o juramento em volta da fogueira.

    As mocinhas de tranças e vestidos coloridos de chita, enfeitados com fitas,  cianinhas e bicos que a mãe costurava à máquina, e os meninos com chapéu de palha e bigode feito com carvão, viravam os verdadeiros artistas prontos para a grande festa popular.

   Na casa de José Simões, maior fogueteiro da cidade, o mês inteiro se fabricava fogos de artifícios, tais como foguetão,  bombinhas, traques , chumbinhos e chuveirinhos, esses últimos que se acendiam como estrelas na noite escura iluminando ainda mais o o olhar das crianças. Toda a família Simões dobrava papel de seda ou almaço, e enrolava a pólvora misturada a areia, que se encarregava de apagar o fogo e não deixar as pequenas mãos se queimarem. E quando era dia dos santos, a noite toda se ouvia nas calçadas estalos, e no ar,  tiros de bombas e apitos trazendo a luz dos fogos em rajadas, riscando o céu. 

   Nas noites de festa, o banquete à mesa era pamonha doce e salgada, feitas com leite e manteiga da terra, canjica que o  na minha casa, o meu pai adoçava com rapadura tornando marrom o doce tipicamente amarelo.Além dos pratos de milho produzidos pelas famílias reunidas, o bolo branco de coco e  o bolo preto faziam às vezes das guloseímas.         

 E quando se pensava em quem fazia os melhores bolos da cidade, logo todo mundo dizia não havia ninguém melhor para temperar o bolo preto que a prima Dedez, filha do fogueteiro Manoel Simões.  Enquanto nós e as filhas de Dedez se arrumavam para a festa, os homens equilibravam os pedaços de madeira de marmeleiro ou cajueiro velho para acender a fogueira às 6 horas da tarde. 

   Na cozinha Dedez apurava o mel, feito com rapadura preta derretida, adicionando cravo, canela, erva-doce, alecrim e outros temperos que era um segredo só dela. Após ferver tudo muito bem, ela juntava a farinha de mandioca e castanhas. E aí só depois de dar o ponto, a massa ia ao forno à lenha, junto com biscoitos de leite, de nata e de coco que ela preparava com alegria a cantar em latim, ou a rezar para os santos  do mês. 

   Perante o cheiro que vinha da cozinha, nós crianças viravamos mosquinhas ou formigas, poi aguardávamos ansiosamente para provar.

   Era costume trazer para os vizinhos um molho de feijão verde, e ganhar duas a três pamonhas, ou no nosso caso, doar uma travessa de canjica e Dedez nos dar bolo preto, bolo branco, e biscoitinhos que se desmanchavam no céu da boca como os fogos no céu.

   Lá fora, a fogueira já acesa, e alguém a cantar,  um violeiro dizendo sua cantoria e seus versos.  

    A meninada chamava o velho Simões, para vender chuveiro ou cobrinha e eu com medo de queimadura corria, junto com as primas numa gritaria só 

  Era  feito de alegria, as noites do mês de Junho, e a gente nem se importava se ardia os olhos na fumaça, e  perfume de banho, ninguém sentia, já que no ar, só se cheirava pólvora, ou na brasa alguma ave, batata, ou espigas de milho a assar, e enquanto esperávamos,  comíamos uma bacia de pipoca que alguém trazia. 

  Em qual fogueira sentar para conversar e assar milho? A rua inteira era um fogaréu, um banquete de fartura.

   Alguém cantava, outros comiam, as moças faziam simpatia,  olhando a água dentro da bacia de alumínio para ver se via o reflexo do futuro marido ou deixava uma aliança amarrada numa linha se mover, para tentar-se adivinhar em quanto tempo se encontraria o ser amado.

  Era colorido o céu,  o quintal de bandeirinhas, as mãos pintadas de papel de seda a embrulhar os sonhos, e na boca a desmanchar os sabores deliciosos do tempero doce da prima Dedez. 

   Festa assim não há mais, mesmo que a festa junina aconteça todo ano, como esta virou eterna e única   pois está guardada na memória e na saudade. 

  Voa feito bandeirinha, feito estrela,  longe de nossos olhos, mesmo quando brilha dentro da gente para sempre a luz deste tempo inventado.


Paula Belmino


Esta é uma homenagem que eu queria já ter escrito para a prima Inês Simões Victor que nos deixou e hoje, véspera de São João veio à tona. Com certeza agora no céu Dedez e meu tio Manoel Simões,  junto a meu avô Nico e seu irmão Júlio fazem muitos fogos para festejar a vida eterna.

Saudade.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Dias de chuva


     Era inverno.

    A casa simples com telhado cheio de goteiras mal protegia em dias de chuva.

   As crianças neste dia não brincavam lá fora, e dentro de casa se abrigavam com pouca roupa, e os casaquinhos cerzidos que os irmãos mais velhos passavam para os novos. Com muito frio,  os irmãos tentavam se aquecer ao pé do fogão à lenha onde  fervia a chaleira com chá ou café  e um pão de milho que o pai acabara de moer no moinho, agradecido pela fartura do roçado.

  A mãe, se desdobrava na tarefa de soprar o fogo com o abanador para aviar o jantar e no debulhar o feijão verde, de onde pulavam rãs em festa, e de onde saltitantes rebolavam as lagartinhas verdes contando a vida. O feijão ia para o para o almoço do dia seguinte. 

  No inverno, era o tempo que menos se ouvia as barrigas reclamarem fome, pois o sertão em riqueza, havia desabrochado os frutos da  lavoura. E se o alimento quente aquecia o corpo mal coberto com as roupinhas curtas, a alma se aquecia ouvindo as histórias da mãe,  ou os causos do pai. No entanto,  se a chuva aumentasse, e trovões anunciassem tempestade ninguém mais comia. O pai dizia que a colher de metal atraía raios, e o único espelho enferrujado porta do camiseiro também era coberto. Decerto sentia frio?! Tal dúvida logo era esclarecida pelo pai que dizia,  o espelho atraía para dentro da casa os relâmpagos. 

   No meio da trovoada ninguém mastigava, ninguém mais falava, ninguém podia também ficar à porta ou à janela. Só se ouvia a chuva lá fora, o farfalhar das folhas das árvores e o cantar dos sapos nas poças.

   Pacientemente, a mãe levava os filhos para cima da única cama, todos em volta dela como pintinhos junto à galinha,  para acalmarem-se ouvindo uma parlenda, uma cantiga, ou uma longa história de Era uma vez. 

  Naquela noite de inverno, as redes onde os meninos dormiam eram abandonadas ao relento,  dobradas solitárias no armador, e a cama da mãe,  fria e molhada de sereno virava um ninho,  aquecida pelos corpinhos  dos filhos, que dormiam todos juntos, abraçados pelo amor.


Paula Belmino 

Fotografia de Alice Aciole 

domingo, 5 de junho de 2022

Cheiro de infância





  Quando quero voltar meu tempo de menina, recorro aos cheiros,  aos perfumes da infância,  cada fragrância da simplicidade,  cada ternura guardada nos aromas da casa, e do quintal onde cresci. 

   Minha infância tinha cheiro de tempero, das plantas da horta suspensa feita com lascas de madeira  e adubo, ou numa bacia velha de zinco que quando furada ganhava a serventia de produzir ervas.  

  Ali na horta,  minha avó depositava sementes de coentro, pequenos grãos que ora virariam chás para dor de cabeça  e problemas comuns da mulher, e para outras mazelas do corpo, ora serviriam  para replantar, e quando brotavam, os talos de coentro cortados perfumariam caldos  de feijão, a sopa, o pirão batido, e até a farofa d'água, e podiam até, ganhar poder de curar mal olhado nas suas rezas e benzedeiras.

   Minha infância tem cheiro de coentro em flor que na singeleza do nosso quintal convidava borboletas e besouros para brincar e fazer festa, pois quando estávamos no quintal, eu e minha avó a cuidar da horta, as flores brancas do coentro  já maduro florescidas e prontas para serem replantadas eram  colhidas, e delas novas sementes iam ao sol, ou ardiam e exalavam perfume na boca da minha avó temperando suas palavras de vida. 

   Já as florzinhas brancas iam das mãos dela aos meus cabelos, ou para o altar do santinho, junto  com as folhas verdes do coentro misturadas à terra, que tornavam sagradas as mãos   que me abençoavam e me conduziam. 

   Tem cheiro de coentro minha infância,  no cuidar, no falar, no alimentar. Cheira a coentro minha memória afetiva, minha criança. E permanece, ainda hoje, quando saboreado o coentro,  em meu paladar, se pode provar o tempero, o sabor e o cheiro do amor.


Paula Belmino

terça-feira, 1 de março de 2022

Despertar






O sol acorda a manhã.

Borboletas e flores 

Convidam ao jardim

E a menina, ainda de pijama

Aninha  em seu colo, o gato

Se alimentam de luz.


Paula Belmino 

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Iniciamos o dia com estes registros lindos da Alice e Milú só para mostrar o nosso jardim que combina maravilhosamente  com a nova coleção da @instadedeka 


A coleção Outono/Inverno 2022 traz a inspiração  na delicadeza, na natureza, e com o tema " Infinito Particular", incentiva as crianças a se expressarem,  se desenvolvem nas suas habilidades seja dentro de casa a brincar, ou no cuidado com um bicho de estimação,  seja lá fora na mata, ou num simples jardim, onde se aflora os sentidos,  a ouvir os pássaros,  a olhar as flores que se abrem e as borboletas a pousarem nelas, seja no plantar e no colher,  ou a ler um livro em meio ao verde para poder acolher todas as sensações da história.

 Num cantinho dentro de casa ou lá fora, a criança sempre tem seus mistérios,  seu infinito particular para se aventurarem e aprenderem. 

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O pijama que Alice veste tem estampa de vasinhos e plantas com carinha de bichinhos,  que incentiva a criança o contato com a terra, no plantar sementes.

O pijama em modal é super confortável e ideal para os dias não tão frios.

Já tá disponível na loja virtual da @instadedeka 


E usando o cupom #DEDEKA-INVERNO22 e garantir 15% de desconto 

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https://www.dedeka.com.br/produto/pijama-teen-algodao-e-modal-vasinhos





sábado, 8 de janeiro de 2022

Além do arco-íris




No arco, sete cores
pincelam o céu.
No alto brincam,
sobem e descem
Como crianças no escorregador
Leves, festivas as cores
Vermelha, laranja,
amarela, verde, azul,
azul-escuro e violeta
É a arte perfeita
Do celeste pintor.
Deus criou o arco-íris
Com o homem fez aliança
Nunca se perde a esperança,
Depois da chuva vem sempre o sol
Não perece a vida,
Pois no fim do arco-íris
está escondida
a eternidade e a mística
presente do grande criador
que usou as sete cores
para nos falar de amor.

Paula Belmino

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Linguagem Essencial





Cada dia mais a natureza me ensina que os valores das grandes coisas estão nas pequenezas,
E em cada miúdo detalhe me apego:
Uma pedra ou uma flor me chamam atenção
E constantes trazem sempre uma lição:
Se pedra, mesmo estática, é ainda movimento, a transformação pelo tempo, pelas ações da chuva ou do vento.
Qualquer pedra pode ser rocha, ou caverna, o registro ancestral de nossa gente.

Quando vejo qualquer flor, a natureza me diz
Mesmo simples é casa de bicho, e da alma humana, o sentido.
É semente, fruto, é a força da vida
Traz dulçor e beleza,
É ainda a mais exótica descoberta científica.

A natureza me fala todos os dias por miudezas
E seja pedra ou flor,
Sua fala é liberdade e força,
Silêncio e som
Conta segredos, mistérios,
Verdades infinitas.

A natureza é linguagem essencial
E há de se saber ler e ouvir sua voz.

Por meio da natureza me faço poesia
Contemplo,
Interiorizo,
Manifesto,
E reescrevo-me para ser, quem sabe ,
Mais humana
E sabiamente compreender, sou parte dela.

Paula Belmino

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Maçãs para o ano novo






Véspera de ano novo.  Abre o guarda-roupa e estende sobre a cama o vestido branco. Olha-se no espelho, já tem os cabelos escovados e presos, a maquiagem feita, mas se apressa, já é tarde e na cozinha a ceia está sendo preparada: ave no forno, arroz à grega,  e descansadas na travessa  maçãs verdes para a  salada  Waldorf. 

Mexe a panela, espia o forno, põe a champanhe para gelar  e volta-se a preparar a salada.Enquanto retira as  finas fatias das cascas da maçã, ela relembra a infância quando não havia preparações para o ano vindouro,  todos os dias eram feitos de festa simples, de pé no chão,  roupa de qualquer cor e tecido, o prato na mesa era simples e feito no fogão à lenha, se esperava apenas saúde, paz e fartura na mesa. O futuro era o presente, vivido com alegria e encantamento.

 Cortou as maçãs e ao sentir o cheiro sorriu ao relembrar a primeira vez que alguém lhe disse ter plantado na frente da casa uma macieira, árvore esra que por anos foi vigiada por ela e pelas crianças da rua, aguardando verem nascer e amadurecer ali uma doce maçã verde, pois só viam a tal,  nas propagandas da tv e ainda assim em preto e branco. Lembrou ainda que houve quem dissesse ter visto a maçã cair no chão e ter provado, sentindo no paladar o seu sabor levemente ácido e aveludado,  da fruta do paraíso que atraiu por tentação Eva e Adão, verdinha, verdinha.

Agora ali, véspera de ano novo, corta entre as mãos enrugadas e trêmulas de ansiedade maçãs verdes tão facilmente encontrada nos supermercados,  por vezes insípida e sem encanto algum,  para a salada de nome estrangeira,  e também  sente-se estranhamente, pela terna  lembrança dos dias felizes que viveu sem esperar a virada do ano, com tantos preparativos,  e sem uma taça de champanhe espumada, ou uma ceia farta, mas faz para si um desejo de que para o ano novo a vida se achegue como maçã verde, doce, leve, aveludada, feito o desejo de criança descobrir o sabor da fruta desejada. Entre os preparativos para o ano novo, anseia apenas que ele venha doce e cheio de vida como uma simples maçã verde, doce, suculenta, nunca proibida,  mas ao alcance das mãos. 


Paula Belmino 



terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Menino Jesus

 



Na casa de Joca e Maria

Há sempre a chama acesa

Breve cheqa o Natal 

A manjedoura enfeita a mesa.


No simples presépio

A mais linda criança

Símbolo de amor, fé,

Alegria e esperança.


A lapinha convida a todos

Para ao menino adorar 

Tão simples, tão inocente,

Treme de frio a chorar.


Uma menina se achega

Tenta acalentar a Jesus 

É de louça o bebê 

Como também o santo na cruz.


Falta-lhe a destreza

Pois frágeis são suas mãos 

Deixa cair o Jesus menino

Aos dedos buliçosos dá lição. 


-Ai meu santinho! 

Acode Maria!_ Grita Joca.

A manjedoura  tá vazia!

Por socorro invoca.


A menina chora, pois

Não queria deixar vazio o berço 

Só aconchegar no colo

O dono do universo. 


E Maria se achega trazendo solução 

Tenta colar cada pedaço

O menino Jesus  sorri à criança 

Na sua alma dar um forte abraço. 


Jesus que sabe perdoar

E colar também coração quebrado 

Entende a linda inocência 

De quem ali chora ao seu lado.


E a menina logo se consola

Tudo volta ao normal.

Afinal é tempo de amor,  alegria,

É chegado o Natal!


E mesmo muitos anos passados 

Reaviva-se sempre a lembrança:

Na casa de Joca e Maria

Quebrou Jesus menino,  a criança. 



Paula Belmino

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A menina do poema era eu, que bem pequena quebrei o Jesus menino na casa de Joca, amigos queridos de meus avós.  Hoje lembrei vendo o presépio que minha sobrinha  Hadassa,10 anos fez.


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Desprendimento



Desprendo-me de mim mesma e
Alço voo na folha,
Que solta da árvore, flutua leve,
sem desmerecer a partida,
Apenas vai.
Esvai-se de si, do que foi,

Para ser nova estação,
Caindo ao chão, a transmutar-se.
Lanço-me ao solo fecundo da poesia
Para renascer das cinzas,
E a cada dia, ser novo rebento.
Quem me vê assim,
Tal a folha a voar no vento
Pensa ser loucura, o meu fim,
Mas é só desprendimento para ser,
Noutra vez, com muita cor e perfume
Flor no jardim.

Paula Belmino


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Delírio




É como se meu coração desfalecido
recebesse uma injeção de adrenalina
e descompassado em taquicardia,
voltasse a viver.
As batidas desenfreadas dizem teu nome
E na sensação de quase morte posso te ver, te tocar.
Ouço tua voz me chamar
E teu cheiro me conduz ao passado,
onde o infinito se reencontra pelo prazer,
Um mundo que só existe pelo sonho.
E a cada sinal de ti, deliro,
Canto, sorrio
Morro e vivo.
Passado e presente voltam a se encontrar,
E nossas almas se entrelaçam e dançam
Neste mundo etéreo criado pra nós.
E quando a matéria pensa em libertar nossos espíritos
O dia amanhece
E traz de volta a realidade
Embora, ainda preso em nós, o pássaro da saudade cante
Esse amor que ficou pra trás.

Paula Belmino

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

15 anos

 





Desde o primeiro dia 

Amei-te ao saber nem existir

Cada batida do coração 

O milagre a se descobrir.


E ao  ver-te pela primeira vez

O olhar de flor rara azul

Seu choro calou o meu,

No meu peito ansiedade murchou.


Não havia mais bela como tu

Primaverou-se para sempre minha vida

E tuas pequenas mãos 

A meu ser deu forte guarida.


Agora em seus quinze anos

Tudo se faz  jardim

A luz me abraçou 

O sol brilha só pra mim.


Desabrocha a primavera inteira

Em seus perfumes delicados 

Nas suas cores diversas

És a estação mais esperada.


Desabrochas no sorriso

Na ternura do teu olhar 

És toda vida a pulsar

E toda primavera a encantar.


Paula Belmino 

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Dia 5 de Outubro de 2021 minha Alice fez 15 primaveras.

Obrigada por existir meu amor Alice.  Feliz 15 anos e muitos longos e felizes  com sonhos realizados,  saúde,  paz e sabedoria.  


.*Fotografia de Ônio Lima

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Trilhas




Há caminhos  que nos levam ao encontro da gente com a vida,  momentos simples e tão especiais que ficam guardados para sempre na memória afetiva:

O visitar um parente, o reencontrar  amigos,  o recolher-se do mundo externo para entrar em conexão consigo mesmo, com nossa espiritualidade. Caminhos que nos ensinam a  valorizar a natureza, a paisagem, sentir o vento no rosto,  e a calmaria no coração. 

Há estradas que são  ladeadas de ensinamentos  e verdades, de alegrias, de festa, sorriso  ou silêncio. Mas, cuidado, pois nem  todos os caminhos são de vida e de alegria, é preciso fazer a escolha certa. 

 Saber seguir por elas e escolher o melhor trajeto  e focar no centro da valorização do amor e da amizade e do que nos faz feliz, é  acertar o caminho, pois seguindo para a luz, a gente sempre encontra a  paz , o bom caminho.


Paula Belmino 


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Flores Vivas



Ofereço-te flores

intactas.

Na natureza sob olhares,

Pelas mãos nunca arrancadas.

Dou-te em visão, uma flor,

deslumbramento.

Nas mãos, porém, só

flores, da arte abstrata.

As do jardim, deixai-as viver,

e serem amadas pelas borboletas

joaninhas, abelhas e cigarras.

E por teu olhar cativo,

ansioso de primavera.

Nas mãos ofereço-te apenas

as flores especiais,

Quiçá, um toque no jardim,

O perfume doce de qualquer flor,

para furtar teu sentimento

de conservação e cuidado.

Mas nas mãos não, nunca arrancais

as sempre-viva, gardênias ou girassóis,

deixai-os lírios e jasmins ao sol,

a enfeitar o jardim, com vida.

Nas tuas mãos dou-te sempre a escolha:

Flor ou vida?

A primavera querida!

 

Paula Belmino

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Anjo dentro do pote



           —Vai tomar água antes de dormir, senão o anjo da guarda cai dentro do pote. Aconselhava a mãe sempre que a boca da noite caía.
            No sertão da minha infância, a água era mais que o líquido precioso que saciava a sede, era sinônimo de remédio milagroso, e trazia a superstição: Na beira do rio, da lagoa, do açude e até no pote de barro dentro da casa vivia a mãe da água que à noite descansava, dormia sonolenta. E se acaso o filho chamasse os pais pedindo água, o simples fato de oferecer-lhe o copo d’água era motivo do ritual:
         A água estava dormindo, e era necessário acordá-la antes de beber, era preciso pedir licença à mãe d’água para sorver-lhe seus goles e matar a sede da criança .
Minha mãe sempre nos aconselhava a beber água antes de deitar, mas como quem tivesse comido sal, a sede acordava a mim ou as minhas irmãs, e temendo irmos ao pote e dar de cara com o anjo da guarda dentro, nós a chamávamos. Mamãe levantava, ia à cozinha, abria com cuidado o pote, de onde uma rã também dormia e de susto pulava. Com um copo de ágata ou alumínio, minha mãe retirava água e ia derramando noutro copo, num movimento frenético, passando e repassando até que a água também acordasse, deixando-nos ainda mais aguadas de vontade.
        Ao fim do ritual, a água servida fresca, saciava nossa sede, e nos acalmava, pois a mãe levantara bem antes do anjo da guarda, impedindo-o cair dentro do pote.
        A mãe d’água com certeza guardava com ela seres místicos, além de peixes e anfíbios. No sertão, em qualquer pote d’água habitava o supremo, pares de asas, anjos que à noite saciavam a sede quando a criança não bebia água antes de deitar. A mãe d’água guardava um anjo no pote ou uma rã no fundo dele, raspando e cantando vida.

Paula Belmino

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Água de Batismo



          A lembrança mais terna que a menina tinha do padrinho eram dos dias de espera para as festas do padroeiro ou de semana Santa, quando o padrinho que vivia numa cidade grande voltava à cidade Natal para se reunir à família. A menina guardava toda a ansiedade no coração para poder dar a bênção e receber dele com todo carinho um sorriso e a generosa sorte:

 —Deus te abençoe Paulinha e te faça feliz!


         E junto com a bênção vinham balas, presentes, às vezes um dinheiro que Paula jamais havia ganhado e com o que compraria um tecido para um vestido novo, um calçado.
        Paula não lembrava bem a fisionomia do padrinho. Os adultos têm pressa em mudar, mas ela sabia que ele se parecia muito com seu pai, a quem observava nas muitas fotos nos álbuns que a sua mãe Maria Chicó, também sua madrinha sempre lhe mostrava.  Na fotografia a gente permanece sempre como na memória do coração.


       A menina era quase parte da família, vivia na casa, via Maria fazer crochê, ler, ajudava varrer um quintal e ouvia muitas histórias sobre os filhos na cidade grande enquanto conversava com a comadre.
A mãe de Paula era quase parte da família, e ao se casar e ter a primeira filha viva após abortos e filho natimorto e até anjinho, tinha sido dada por afilhada ao chefe da família, o sr. Chicó Felipe.


      O dia do batizado, porém, caiu num sábado de feira, quando a muita gente da zona rural vinha para fazer as compras da semana, e como não pode sair da bodega, o Sr Chicó Felipe enviou o filho Ribamar para ser padrinho por procuração, outorgando-lhe a responsabilidade de elevar a Deus a alma da criança junto à esposa Maria, madrinha de vela e à filha Zefinha, madrinha de apresentação.
Paula sabia esta história de cor e salteado, com ricos detalhes contados pela mãe e pela madrinha Maria, inclusive que ela havia feito xixi no Padrinho, e que ele muito jovem, não se zangou, mas ficou feliz pois se sentiu mesmo padrinho por também ter sido " batizado " pela menina.


     Ribamar trocou a roupa ,e voltou à cerimônia feliz e prestativo com Paula no colo. Dessas memórias se alimentava a menina que aguardava um ano inteiro para reencontrar a madrinha Zefinha e o padrinho Ribamar que quando chegava parecia saído dos sonhos, e se não vinha deixava um vazio no olhar da criança, mesmo quando a casa dos "Felipes" fervilhava de filhos e netos em redor da matriarca.


      Todas as boas histórias da vida da menina têm seus padrinhos nelas, os almoços de semana santa, as noites do mês de Maio e do padroeiro São Francisco, e o Natal. No Natal principalmente, as luzes se acendiam e ela estava sempre nas fotos em frente à árvore e perto da manjedoura, da casa dos padrinhos, por sinal uma das mais belas da cidade.
   Os anos passaram. Paula cresceu, virou mãe, assim como Ribamar, pai e avô, e ainda vive longe do seio familiar, entretanto como se o tempo não tivesse passado, Paula ainda o espera todo ano em visita à sua terra.


     A ciranda do tempo girou, a vida mudou, mas permanece imóvel na sua alma, a alegria dos dias de festa, no dar e receber a bênção. Permanecem parados no tempo o padrinho a sorrir e a menina a lembrar, pela milésima vez, que no dia do batizado, como água de batismo, o molhou. Com amor o escolheu, de forma inusitada para padrinho, o batizou.


Paula Belmino


Feliz aniversário Padrinho José Ribamar  . Vou ser sempre a menina Paulinha a lhe esperar.


domingo, 22 de agosto de 2021

Dia do Folclore


Poema Curupira com arte de Camila Angelis e recitado por Alana Cavalcanti





 Poema Cuca nas aulas remotas da professora Daniele Abreu





                                              Poema Cadê o folclore que estava aqui? 




segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Monólogo



Que mal vos faz, o bem que semeias?
Que semente infrutífera atirastes a esmo, que só produz infortúnio?

Pensa toda tua vida,
A mão, a quem a tua estendes.
A quem doas tua alma,
Teu trabalho,
Teu tempo?
E repensas, te voltas, levanta mesmo combalido,
Reconduz teus pés no caminho
Um novo destino.

Há na coxia da noite estrelas distantes,
Teu sonho é mais que semente dormente,
Ou desejo errante.

Haverá um sol a desabrochar a semente
Que no peito amoroso,
Carregas contigo.

E entre outros caminhos
Por veredas e trilhas
Da poeira, novas constelações se formarão em ti.

E quando pensares
_Sou mirrado demais!
Tua pequenina luz acenderá universos .

Paula Belmino

domingo, 8 de agosto de 2021

Carta ao meu Pai





Pai , passei a vida inteira ensaiando palavras tentando  elaborar meus  sentimentos,  sem poder entender o que era ser filha  e pai.  E não era apenas em dia  dos pais, muito menos a condição de doar um presente,  eu queria sentir o afeto, o abraço,  a conversa regada de boas palavras, sem violência.  Uma infância inteira de ausência mesmo na presença,  que eu não podia entender.  Mesmo quando colocavas  na mesa o pão,  a minha alma estava sempre  faminta, sedenta de alimento que a nutrisse, alimentasse o coração. 
Nunca teus olhos demoraram-se nos meus, o medo não me deixava fitá-los. E não  lembro,  eram teus olhos verdes, azulados,  cor de mel a me amar?
 Eu guardo nas lembranças sua pele negra do sol castigante, dia após dia na lida, do roçado às serras, arando a terra , plantando,  aguardando a chuva, e na seca caçando juriti, rolinhas,  pebas, qualquer bicho também  faminto buscando mantimento pra prole, tu trazias no bisaco para encher as panelas vazias de nossa casa, junto à  uma fruta de cardeiro, dos espinhos, o doce nos oferecia.
Eu lembro pai, que se faltava palavras afetuosas, teus  braços fortes enchiam os potes com água,  vinda de léguas distantes em barris sobre o lombo de um burro, enquanto tu andavas a pé,  com os calcanhares rachados, calçando apenas alpagartas de couro já bem usadas. Era tua forma de amar,  derramar suor e sangue para não deixar o básico faltar, água e pão.
Teu silêncio pai, me fez adolescente bradando raiva, ecoando revolta. No entanto, o tempo, melhor professor  ensinou-me a gerir tudo,  me fez poeta. E em cartas ou poemas, eu escrevia as palavras que você não sabia ler, nem podia dizer,  mas sempre em pequenos gestos nos dizia: Cuidar é  amor.
Uma vez outra, tuas mãos calejadas  estendiam um cruzado novo  à uma das tuas filhas,  e a mãe  sábia transformava em um pedaço  de tecido para vestir iguais todas as outras.  Teu amor não era palavra,  era cobrir, era trabalho,   era real. 
Na tua pobreza, nossa casa com poucos móveis remetia ao que era mesmo importante,  e não supérfluo, pois nunca nos faltou o teto.
Eu lembro pai, das madrugadas que saías ao trabalho e voltavas tarde, tão  cansado,  mas lembro também,  das noites de festa do padroeiro,   que deixavas teu enfado e tua rede guardada no torno, para  nos levar ao parque.Uma volta no carrossel, e eu voltava tonta pra casa, mas imensamente feliz. 
Pena pai, que eu só entendi  teu jeito de ser já adulta. Só compreendi o teu jeito de amar quando entendi que o amor não é presente, muito menos uma palavra,  é um sentimento que se constrói na dor. 
Só aprendi teu silêncio,  quando em mim já oculta, a mágoa calou-se,  e minha alma amante fez-se canção para poder explicar que todo teu modo de ser, mesmo errante,  sério e pouco gentil,  também não sabia expressar com ternuras que o amor é esse todo:
Na falta, provê. 
No cuidar faz crescer.
No trabalho educa, na dureza ensina valores.
O amor protege mesmo quando falta o abraço, e fala mesmo sem palavras.  
Pai, só depois  que virei poesia, hoje  entendo você.

Paula Belmino
Para meu pai Manoel Belmino ( In memoriam)

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Alinhavos


Dia a dia costura a vida.
Cada linha é um caminho,
Cada movimento no pedal da máquina de costura antiga é roda que gira e guarda o tempo, as memórias, as lembranças.
Vai fiando histórias, alinhavando sentimentos que se bordam em desejos de encontro, de afetos e abraços.
A agulha e a linha conversam e cerzem a saudade:
Os cueiros que envolviam o filho no colo,
as mantas com babados que cobriam o bebê nos braços ,
os vestidos iguais para as três filhas feitos de tecido de bolinha com bolsos enviesados.
Na velhice não envelhece o cuidado.
Nas mãos da mãe, avó, bisavó se fia com sentimentos, o tecido essencial a ser guardado.
Na alma, modela vestes majestosas,
O amor cingido e costurado.

Paula Belmino


 E em homenagem ao dia das avós deixo esta dica de livro maravilhosa de Pablo Morenno publicado pela Editora Phisalys
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