sábado, 16 de abril de 2011

Eu e Alice no site UOL BOL


Fim iminente da obstetrícia da USP reabre discussão sobre cesarianas no país LIDIANE AIRES Especial para o RROnline* O curso de obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP) pode estar com os dias contados. O remanejamento das vagas para outras áreas da instituição e a decisão da reitoria de fundir a modalidade com a de enfermagem geraram protestos por parte de professores e alunos, que elaboraram um abaixo assinado contra o seu fechamento. O fato reascende discussões sobre o número de cesarianas realizadas no Brasil e a falta de estrutura das maternidades na assistência e orientação às gestantes. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a cesariana já representa 43% dos partos realizados tanto no setor público quanto no privado. Nos planos de saúde, esse número chega a 80%, quando o recomendado, de acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), é que a cirurgia corresponda a até 15% dos partos. “Por ser um evento de risco, o parto envolve hospitais, tecnologia, equipamentos adequados. Tudo isso encarece a assistência, mas os médicos são treinados para a cesariana e essa é a cultura dominante. As mulheres são induzidas a fazê-la”, explicou a coordenadora do curso de obstetrícia da USP, Nádia Zanon Narchi, ao lamentar as mudanças na universidade. De acordo com o médico especialista em ginecologia e obstetrícia Pedro Paulo Monteleone, o alto número de cesáreas realizadas no país é prejudicial à mulher, pois transforma um ato natural e fisiológico em um ato cirúrgico. “A possibilidade de complicações, como hemorragia e infecções, são mais comuns na cesariana do que no parto normal. A mortalidade materna na cesárea é de 3 a 4 vezes maior”, explicou. Mas a falta de assistência no Brasil, em qualquer uma das modalidades de parto, também é preocupante. Segundo o especialista, em países de primeiro mundo, como a Holanda, a mortalidade materna é de 7 a 8 a cada 100 mil nascidos vivos. No Brasil, em grandes centros como São Paulo, a mortalidade chega a 60 por 100 mil. A situação é ainda pior no Nordeste. No Amapá, por exemplo, esse número é de 300 por 100 mil. “As maternidades estão muito pouco estruturadas. A cesárea acaba sendo mais conveniente, pois não existe a correria e os imprevistos do parto normal”, afirmou Monteleone. A pedagoga Paula Belmino, de 36 anos, é exemplo disso. Grávida do primeiro filho em 2004, ela optou pelo parto normal e decidiu ter o bebê num hospital da cidade de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, onde morava. Com complicações na hora do parto, Paula perdeu o bebê por falta de estrutura do hospital, que não possuía uma equipe médica capacitada para realizar a cesariana, indicada no seu caso. “Foi um acidente que precisava de uma intervenção, mas eu não estava num hospital com centro cirúrgico. Se estivesse, meu filho teria sido salvo com certeza”, disse. Dois anos mais tarde, Paula engravidou novamente, mas não quis mais fazer parto normal. “Foi tanto medo de que acontecesse novamente, que, apesar de saber que o parto natural seria o melhor pra saúde do bebê, relutei e preferi a cesariana. E se tivesse outro filho, faria cesariana também”, afirmou. A falta de orientação também acaba induzindo as mulheres a optar pela cesárea, pois o parto normal é muitas vezes associado à dor e ao sofrimento. Foi o caso da empresária Gislaine Zorzin Gerin, de 35 anos, que teve seus dois filhos por cesárea. “Nunca defendi um ou outro, mas sempre soube que teria cesárea porque tinha muito medo do parto normal.” A coordenadora do curso de obstetrícia afirma, porém, que riscos existem quando o parto não é assistido. “Até rainhas e princesas têm parto normal”, disse. Para Monteleone, a assistência das obstetrizes nas maternidades é fundamental, pois auxilia as mulheres não só durante a gestação, mas também na hora do parto. No entanto, o especialista afirma que as obstetrizes representam uma mão-de-obra muito cara, o que, somado aos outros fatores, dificulta ainda mais a mudança sobre a cultura da cesariana. Além disso, médicos e familiares preferem a cesariana por ser mais cômoda e evitar imprevistos inerentes ao parto normal. “A vantagem não é só financeira, mas profissional. O médico realiza o parto com data e hora marcada, ou seja, fora do horário do consultório e do período de lazer. Também fica mais fácil de montar a equipe. Já para a mulher é a mesma coisa, a cesárea é vantajosa do ponto de vista social. Ela marca e avisa toda a família, como se fosse um batizado”, explicou. Apesar da dificuldade em mudar essa cultura, ainda há quem prefira o parto natural, como é o caso da assistente administrativa Gabriela Gomes, 26, que optou pelo parto normal e contou com todo o apoio dos médicos para isso no nascimento de seu primeiro filho. “Não concordo com a banalização da cesárea, acho que este tipo de procedimento só deveria ser feito em caso de extrema necessidade. O parto natural é infinitamente melhor para a mãe e para o bebê em diversos aspectos”, afirmou. Para os especialistas, no entanto, mudar a cultura da cesariana e fazer do parto normal um evento natural é algo que está longe de se concretizar. “É muito difícil, mas a gente não pode desistir”, concluiu Monteleone, que já realizou diversas campanhas em favor do parto natural. O fechamento do curso de obstetrícia da USP ainda está em discussão. Mas um relatório divulgado pela Escola de Artes, Ciência e Humanidades (EACH-USP) afirma que a procura pelo curso vem caindo gradualmente e não há reconhecimento do profissional de obstetrícia pelo Conselho Enfermagem (Coren) em função da diminuição de partos naturais.


*Esta reportagem foi produzida por aluno do curso de jornalismo da Universidade Metodista de SP para o portal RROnline


http://noticias.bol.uol.com.br/educacao/2011/04/12/fim-iminente-da-obstetricia-da-usp-reabre-discussao-sobre-cesarianas-no-pais.jhtm

5 comentários:

Anne Lieri disse...

Paula,parabéns pela reportagem!Uma história triste,mas que precisa ser conhecida pelas mulheres!Um grande beijo!

Anne Lieri disse...

Paula,parabéns pela reportagem!Uma história triste,mas que precisa ser conhecida pelas mulheres!Um grande beijo!

✿ chica disse...

Que legal!Parabéns! beijos,chica

Mãe Mochileira, Filho Malinha.. disse...

Que legal,parabens!!!!
beijokas nas duas!!!Bom domingo,Paula!!!
;-)

Dani Garlet disse...

oiieeeee, tava aqui lendo....fuçando... afinal os assuntos estão me interessando mais kkkk

estõão lindas! a foto q tá no uol é perfeita, amei!

bjokasss