terça-feira, 28 de agosto de 2018

Clarice. Dica de Livro






Um livro para falar de realidade mas devanear, sem julgar abrir horizontes do pensamento, o livro fala de ilusão, de forma ficcional conta a história do país no tempo da ditadura militar, inspirado em Brasília, e em fatos reais, mas vai além de dar sentido a um fato histórico mas ao pensamento subversivo, sob o olhar de uma criança, a protagonista Clarice, titulo do livro de Roger Mello e Felipe Cavalcante pela Global Editora



O livro Clarice  é uma homenagem à Clarice Lispector,  e narra a história de uma menina que mora com seus tios e um primo e tem os pais desaparecidos, os pais poderiam ser militares ou adeptos ao movimento a quem Clarice chama de E.L.E.S, e tudo que a menina percebe na ausência dos pais e ouve atenta ao seu redor faz ela perceber que nem tudo é bom ou mal, nem tudo é como é, as conversas dos adultos  sussurradas  se calam ante a presença das crianças e pertuba Clarice que anseia compreender o mundo, o tempo, o que se passa ao redor, os motivos de esconder a beleza de uma história, de uma palavra, de dizer quem é . A história é ficcional , instigadora ,mas traz uma reflexão poética sobre a solidão, a vida, a criticidade, cidadania, e é também a plena poesia, um movimento de encontrar a alma, de compreensão do ser humano e suas possibilidade para a existência criativa, o livro fala de forma lúdica e despretensiosidade, sem didáticas sobre o  jogo de forças para a construção da história, da humanidade, da vida.
É em meio a estranhamentos e torturas, silêncios e coisas obscuras que a menina vive, sem poder entender o que se passa, o porquê do sumiço dos pais, o porquê não deve contar sobre livros ,  livros esses amarrados com pedras e jogados no lago.
Fatos  reais, ou ficcionais, distopia e realismo de outros tempo e dos dias de hoje inspirados no  terror da época da ditadura, e as contradições, a censura á arte, à palavra, o pensamento se misturam á história. Poderia  a mente humana ser censurada do poder de voz e do pensamento livre?


O livro tem projeto gráfico de Felipe Cavalcante e traz no colorido, a agressividade que faz o leitor se aprofundar na história, rever releitura de imagens inspiradas nos grandes nomes de artistas como Burle Max, Maria Martins,   artistas Brasileiros que idealizaram e formaram a vida ao redor de Brasilia  um lugar utópico feito para outros viverem, mas que em suas  produções há sempre a  mensagens subliminares ao encontro do olhar do outro, e que pela arte puderam desafiar a consciência, o grito preso na garganta dos brasileiros, mesmo tendo enfrentado exílio político e censura, a busca do sonho, em linhas entrelaçadas, de histórias, de buscar, de lutas


O romance e projeto gráfico interage com o leitor infanto juvenil, mas tem uma leitura não tão fácil que necessita ser mediada e compreendida o contexto em que se passa a história, as questões políticas e sociais, mas além disso é poética em seu diálogo de compreensão da vida, dos rumos e desejos da alma, da liberdade de expressão e convida a todos à reflexão para além desse tempo passado e sua importância observar ainda a censura que somos impostos, a democracia que ansiamos viva, as ideias, o novo, o melhor através da arte e da poesia, dos livros que são tão perigosos, e transformadores.


É uma história sobre ausências, vazios, busca, sobre a solidão, sobre opressão, e é também uma reverberação da história de vida do autor e sua família que viveram no tempo da ditadura, mas para o leitor que não viveu a dura época ecoa como aventura, por curiosidade conhecer mais da história do país e não deixará mais calar a voz da liberdade, inspirada em Brasília  como cenário, mas em todo lugar,   personagens que desafiam a construção pela cidadania, pela liberdade, sem nunca explicitar o que foi esse momento histórico do Brasil, mas sim escrito com vez ao leitor poder interagir no livro, na escrita e nas imagens, escrever seus pensamentos, deixar sua visão sobre a obra, cheia de elementos artísticos como pontes, prédios, cinemas etc...


Uma história de pura aventura que não se entrega à primeira vista a uma interpretação única, mas necessita de um pensamento amplo para formar ideias e vai além de repercutir valores, é uma história sob o olhar de duas crianças: Clarice e Tarso ligados pela paixão dos livros, da literatura que para tudo alimenta, salva e transforma.
O fim da história também é livre como a ideia do próprio livro e todo projeto gráfico que amplia olhares e construção do olhar sob à arte, sobre o mundo, sobre a liberdade.



Na escola as crianças tiveram o contato com o livro, uma leitura mais densa, a que não estão acostumados sozinhos e necessita de mediação, li sempre instigando, inferindo informações, com as crianças para que elas pudessem ampliar o olhar a visão de mundo, identificando a função sociocomunicativa reconhecendo as esferas do tempo, lugar , quem produziu, a quem se destina, o gênero, buscando o conhecimento prévio e ampliando assim o vocabulário e as ideias.







Após leitura e mediação as crianças puderam produzir sua arte inspirada no projeto gráfico do livro Clarice e contextualizando com o conteúdo de matemática, polígonos.
Para alem da leitura, as crianças produziram seus textos mostrando sobre a importância dos livros na vida das pessoas 



 Vejam a percepção das crianças e a construção do entendimento a partir da história








Vejam o autor Roger Mello lendo um trecho do livro



Aqui Roger Mello que foi premiado pelo Prêmio Hans Christian Andersen em 2014 fala sobre o romance




Para comprar o livro:

http://globaleditora.com.br/catalogos/livro/?id=4036

Um comentário:

Adriana Moreira disse...

Postagem muito bonita. A gente fica curioso pra saber a história do livro. Amei. Vou procurar!
Obrigada pela dica! Postagem linda!
Abraços,
Drica.