No dia Nacional do Livro Infantil em comemoração a Monteiro Lobato não poderíamos deixar de fazer essa homenagem com minha Alice de Emília em vários momentos e ações de incentivo á leitura que promovemos!
Dandi era um menino diferente, apaixonado pelas palavras, de uma família de 5 irmãos, todos viviam no sítio Sol da noite, criados ao lado dos pais , tia Tonha e Vô Chico
Seu avô Chico lhe contava muitas histórias, encantadas, lendas trazidas pelos seus antepassados, índios, negros, raça misturada, e Dandi ficava ali ao lado do avô com os olhos brilando a querer saber tudo, que significava cada palavra.
Dandi era o menor dos irmãos, a raspa do tacho como dizia sua mãe, além dele tinha Janaina, e Jussara, nenhum deles no entanto iam á escola, pois escola era pra quem podia pagar, e era na cidade, os pais não tinham condição de mandá-los todos estudar então nenhum ia, ficavam ali tendo aulas com a tia Tonha , que se formara em professora deixara a cidade e voltou a viver no sítio. Quando tia Tonha estava livre das panelas a fazer compotas e doces de frutas e a cuidar da casa, dava aulas ali mesmo na cozinha aos sobrinhos.
Dandi era o que mais desejava estudar, conhecer uma escola, e embora a lida , o carrear água, o plantar, o cuidar de animais fosse bom aprender com os pais, ele sonhava ir além
Depois de tanto sonhar com as histórias de seu avô Chico, os pais resolveram mandar Dandi para cidade ,afinal viam no menino um talento especial para a poesia, para as palavras, para o estudo.
Antes de deixar o sítio seu avô lhe levou num lugar no meio da mata que tinha uma árvore que dava frutas palavras, e ali contou a história daquela árvore milagrosa que na verdade era um índio que se apaixonara no passado por uma moça branca, mas como o pai da moça era severo não puderam namorar , mandou atear fogo na aldeia, graças ao aviso do pajé o jovem índio se salvara, mas a jovem achando que o índio morrera queimado acabou também morrendo de amor. O pai enterrou sua filha junto com as cartas que ela recebia do índio, e passando um tempo o índio vinha chorar na sua cova, nascendo em seu lugar uma árvore que dava palavras.
Vivenciamos a história num sítio aqui da cidade rodeado de natureza e perto de uma casa amarela como no conto: Dandi e a árvore palavreira de Ana Cristina de Melo com ilustrações de patrícia Lima que recebemos da Editora Bambolê , e as crianças Alice, Anayara, Matheus e sua família fizeram parte desse momento lindo que dou aqui o nome de "Bemdita Poesia" no sentido amplo da palavra, uma ação que agora nosso blog fará que é levar a boa poesia , o vestir-se ao ler e a sentir a história com participação em reescrever, em atuar, em ler em meio à natureza, ou mesmo na simplicidade do lar um verso Bem dito, uma poesia sentida, falada, amada, vestindo a alma.
Além das crianças os adultos por trás das câmeras, tios, tia, mãe de nossa amiga Vitória Lópes dona do sítio vivenciaram essa poesia cheia de alento e encanto como deve ser nesses dias cheios de coisas tristes!
As crianças puderam escrever as palavras que as transforma, o que de bom aprendem com os pais e avós assim como Dandi, brincaram, encenaram e viveram a linda história desse livro, que transformou a de Dandi na ficção, mas que é bem real em tantos lugares do Brasil e do mundo.
Assistam um pedacinho e aproveitem para se inscrever no nosso canal no Youtube:
Um dia comemorativo ao livro infantil em homenagem a Monteiro Lobato, escritor brasileiro que se dedicou a escrever para crianças num tempo em que elas não eram consideradas sujeitos de sua própria história. Monteiro Lobato em suas frases disse de seu desejo de escrever livros em que as crianças morassem neles, e creio que o realizou na sua maior e mais conhecida obra : o sítio do Pica-pau amarelo com seus personagens fantásticos e que gera amor e polêmicas quando trata de preconceito com pessoas negras, num tempo em que a diversidade era ainda mal comentada e discutida, onde reinava o maior sobre o menor, o que sabe mais, e a inclusão nem existia,e se ver impregnado talvez de modo a crítico à mercê da interpretação d ecada um como nos personagens Burro, que de burro não tinha nada, era muito inteligente e na personagem da tia Anastácia que por ser negra vive apenas na cozinha.Não seria no entanto as fábulas de Lobato sensíveis a se pensar nessa predileção de modo a fazer as pessoas da época rever conceitos e ideias? Mas não quero aqui levantar nenhuma discussão ou questionamento e só citei aqui após ler alguns textos que vagam em outras concepções sobre o autor, meu foco pelo contrário é dizer da grande paixão pelos livros em que eu vivi, falar das doces aventuras através dos livros de Lobato que vivenciei, e que ainda mais virtuosos se tornaram com a televisão colocando em pauta, e que eu sempre queria ser a narizinho ou a Emília nas brincadeiras com as amigas e por sinal era apaixonada pelo pedrinho lindo da primeira fase da Tv Tupi, acho. Lembro bem de minhas visitas á biblioteca de nossa cidade, os livros numa esteira de palha e as coletâneas do autor em prateleiras bem limpas e arrumadas, um cheiro de magia e encantamento, livros que traziam lendas, costumes, brincadeiras e avó que gostava de contar história, boneca Emília que falava pelos cotovelos, um sabugo de milho muito inteligente e que viajava nos livros por lugares distantes. Era um sonho ler a obra de Monteiro Lobato e conceber ideias novas, argumentos, desenvolver o repertório e atrever-se a imitar Narizinho e Emília pelos passeios ao sítio. Hoje sou mãe e nunca esqueço das lindas histórias e apresento a Alice assim como posso cada personagem e história, bem como aos meus alunos que também são apaixonados pelo sítio e sua turma. O dia nacional do livro ganhou um marco para se lembrar desse belo escrito, mas o lema do autor quando diz fazer livros moradias, e que seja assim todo dia, rotina, hábito, mais que ler apenas uma vez, mas ler, reler, ver , atrever-se, pensar, repensar interpretar o que leu e começar outra vez, brincar com o livro, morar nele em asas, liberdade, casa e coração, tendo a oportunidade de apresentar nossa história, cultura, as boas práticas, um reino de multidão de ideias aos pequenos, amigos, crianças de toda parte. Livros que marquem e que possam mudar a realidade. Alguns lindos livros que li e ainda recordo o cheiro, a aventura, o suspense, a alegria
E alguns trabalhos em sala de aula com minhas crianças
Sítio do Pica-pau Amarelo
São doces os bolinhos de Tia Anastácia
Dá medo as sapequices do saci
A cuca quer pegar Narizinho,
E vive enfeitiçando o Pedrinho.
No sítio do pica-pau amarelo
Todo dia é dia de fazer o bem.
Numa viagem ao reino das águas claras
Emília quer ser nobre também.
Pra conhecer o príncipe escamado
Narizinho vira rainha
Emília se torna marquesa
Que boneca mais espertinha!
A boneca espoleta
Casa com o marquês de rabicó
Depois que ganhou vida
Emília vive numa alegria só.
No sítio do Pica-pau amarelo
Dona Benta conta suas histórias
Conta e encanta os netos
Vive de glória em glória.
Lá o burro é inteligente
Lê sem demora:
Contos, cantigas ou versos.
Lá no sítio a imaginação aflora.
Desde as invenções de Visconde
Tudo passa a ser fantástico.
Sitio do Pica-pau amarelo
Que grande espetáculo!
Livros cheios de histórias mágicas,
O mundo doce de
fato
com cor e sabor de infância
Inventado por Monteiro Lobato
Paula Belmino
Um poema de minha autoria para homenagear a data e essa obra fabulosa de Monteiro Lobato!