Essa é minha participação na blogagem coletiva da Lourdes no blog Filosofando na Vida
o objetivo é criar a partir de uma imagem sempre nova a cada semana um poema, um registro, uma forma de sentir e se expressar.
Trabalhei com as crianças a obra de van Gogh e a poesia
de Manoel de Barros
Como poesia não é pra se explicar, apenas expressar,
sentir , e pela palavra explorar temas e sentimentos do mundo deixei que as
crianças pudessem falar sobre o que sentiam com o poema que de início parecia
ser algo difícil de se trabalhar com as crianças,mas e que temas devem ser
abordados com elas, senão também as dores, o luto, as guerras, a questão dos
refugados, dos órfãos, dos que não tem pátria e lar, nem pão e pouco menos
amor?
Li uma vez:
"Os girassóis de Van Gogh", de Manoel de Barros
"Hoje eu vi
Soldados cantando por estradas de sangue
Frescura de manhãs em olhos de crianças
Mulheres mastigando as esperanças mortas
Hoje eu vi homens ao crepúsculo
Recebendo o amor no peito.
Hoje eu vi homens recebendo a guerra
Recebendo o pranto como balas no peito.
E como a dor me abaixasse a cabeça,
Eu vi os girassóis ardentes de Van Gogh."
Manoel de Barros
Dai pedi para me dizer o que sentia, que tipo de
sentimento vinha sobre o coração deles.
No início disseram que achava que Manoel falava da
solidão e da dor de Van Gogh, pois estudaram sua vida, a solidão no hospício,
a maneira de retratar com a arte, como nas obras: Quarto em Arles
Mas ai fui intervindo frase por frase, verso
por verso, cada um lendo uma parte em voz alta com ritmo, e eu entonava como quem sofre e chora e quer dizer algo ao mundo, esmiuçando o que não se pode explicar, já que poesia não precisa de
razões para falar de sentimentos, por si só é todo sentido, no entanto como crianças ainda imaturas precisava instigar, e ir
além do senso comum, criar espanto e assombros.
Para eles chegarem a essa compreensão e interpretação fui
intervindo tipo:
O que vocês acham que significa soldados cantando por estradas
de sangue? Seria um canto de felicidade?
Até um dos meninos dizer: ele canta de
gratidão porque ficou vivo.
outros disseram: Os soldados cantam em meio ao sangue
dos mortos na luta, mas de tristeza, e também para agradecer pois conseguirá
voltar pra casa.
E de novo eu indago: E o que dizer sobre frescura de manhãs em
olhos de crianças? uns de inicio achavam que é porque as crianças tem frescura , ela achava que frescura era birra, fazer bico, até ir no sentido da palavra frescura de fresca, limpa, de bom clima, até ai entenderam e disseram:
"as crianças são tão puras que nos seus olhos
mostram isso, amor, vida, um ar de alegria como o dia que nasce. " Jamilli
E ai depois que entenderam que falávamos de guerra e da
luta pela paz, das dores do mundo saíram frases assim:
"As mulheres mastigam esperanças mortas pois não
verão seus maridos, remoem seus pensamento, seus sonhos" Hellias
Eu mais uma vez desafio:
Que homens receberiam a guerra?
Eles:
Os que matam todo dia!
Os que faz violência por pouca coisa.
Os que tem ambição!
E por fim:
Mas será que Manoel de Barros via a obra de Van Gogh, ou
seria uma plantação de girassol?
Depois que eles puderam compreender que antes de Van Gogh
usar as cores suas obras eram muito escuras a só quando ele foi para Paris conheceu o Impressionismo ele começa usar a
técnica de luz, cores, principalmente o amarelo
Uma aluna me diz:
"Ele queria dizer que mesmo na dor com a cabeça
abaixada a luz podia aparecer. Maria Eduarda"
Ele falava da guerra, da dor das mães sem filhos, dos que
perdem seus pais, a esperança, mas mesmo na dor de repente surge a luz. Maria
Clara, Maria Luiza
E por fim:
Só pode nascer uma flor pra provar vida né tia? Ryan
E Eduarda me diz:
Mesmo na guerra há a busca pela paz!
E ai eu entendi Manoel de Barros:
"e, como a dor me abaixasse a cabeça,
eu vi os girassóis de Van Gogh.
Assistam eles recitando e mostrando as artes deles:
Me espantei de alegria e gratidão! Além de Van Gogh as crianças também fizeram releituras da obra de Tarsila do Amaral
Adeus Ângela Lago, continue nos inspirando e nos iluminando com sua arte.
Tive o prazer de poder mostrar aos meus alunos sua magnífica obra , há pouco tempo as crianças se inspiraram nela para produzir suas imagens e haicai com o trabalho do livro de Sônia Barros em conjunto com sua arte, pincelando com maestria o livro Nas asas do Haicai pela Aletria. Aqui
É preciso viver intensamente, amar os livros e esses astros e estrelas que mudam nossa história para sempre. Eu aqui sempre que me chegam as mãos os livros ensino a Alice, ás crianças a conhecer o autor, o ilustrador, a editora, as pessoas por trás dos livros que nos fazem sonhar. E pareço conheço cada um, afinal o amor nos transporta para perto do coração .
Ontem em nossa homenagem à Ângela, a Alice não estava em casa pois tinha ido passar o domingo no sertão, quando soube em casa à noite chorou e sentiu muita tristeza e pediu para gravar essa homenagem
A festa no céu é um conto de nosso folclore e foi lindamente ilustrado e escrito por Ângela lago que hoje nos deixou para fazer festa no céu. Uma estrela que se junta às tantas constelações para brilhar infinitamente. Por ironia do destino esse livro dela foi lido esta semana na escola, hoje a Hadassa minha sobrinha na foto acima, quando soube ficou triste, e ai expliquei que agora a grande mestra contará histórias no céu, e que nós aqui continuaremos vivendo sua vida por meio dos livros.
Descrição da imagem:
Lá no horizonte se põe a
estrela maior pra receber outra estrela
que seguiu a estrada de flores
e pintou pra gente a vida em cor.
Paula Belmino
Quando vi a imagem sugestiva do blog Filosofando na vida de Lourdes na brincadeira Poetizando e Encantando vi um caminho de conquistas, um céu aberto para receber aqueles que amamos e deixam aqui saudade, mas ficarão guardados para sempre em nossa memória afetiva através de suas boas obras. No caso de Ãngela Lago deixará nossa memória literária enriquecida, por poemas e contos, ilustrações que nos faz sonhar. Fica para sempre entre nós, pois um escrito não morre, escreve em nosso coração para sempre sua história, faz uma estrada de sonho e poesia que nos leva além da imaginação. Vá em paz Ângela lago pela estrada celestial e aqui trilharemos pelo caminho dos livros de sua obra a criatividade e a fantasia.
Obras da autora
Alguns Livros de Ângela-Lago
Cena de Rua, Editora RHJ, Belo Horizonte, 1994
Tampinha, Editora Moderna, São Paulo, 1994
A festa no céu, Editora Melhoramentos, São Paulo, 1995
Uma palavra só, Editora Moderna, São Paulo, 1996
Um ano novo danado de bom, Editora Moderna, São Paulo, 1997
A novela da panela, Editora Moderna, São Paulo, 1999
Indo não sei aonde buscar não sei o quê, Editora RHJ, Belo Horizonte, 2000
Sete histórias para sacudir o esqueleto, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2002
A banguelinha, Editora Moderna, São Paulo, 2002
Muito capeta, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004
A raça perfeita, Ângela Lago e Gisele Lotufo, Editora Projeto, Rio Grande do Sul, 2004
A casa da onça e do bode, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
A flauta do tatu, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
O bicho folharal, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
João felizardo, o rei dos negócios, Cosac-Naif, São Paulo, 2006
Um livro de horas, Editora Scipione, São Paulo, 2008
E hoje ela faz 11 aninhos de vida e parece que foi ontem que seus olhos se abriram pra mim e encheram minha vida de ternura. O sorriso dela sorriu e minha alma dançou pra sempre.
Feliz aniversário Alice com muita luz e paz, saúde, graça, sabedoria e todos os sonhos realizados.