sábado, 8 de janeiro de 2022

Além do arco-íris




No arco, sete cores
pincelam o céu.
No alto brincam,
sobem e descem
Como crianças no escorregador
Leves, festivas as cores
Vermelha, laranja,
amarela, verde, azul,
azul-escuro e violeta
É a arte perfeita
Do celeste pintor.
Deus criou o arco-íris
Com o homem fez aliança
Nunca se perde a esperança,
Depois da chuva vem sempre o sol
Não perece a vida,
Pois no fim do arco-íris
está escondida
a eternidade e a mística
presente do grande criador
que usou as sete cores
para nos falar de amor.

Paula Belmino

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Linguagem Essencial





Cada dia mais a natureza me ensina que os valores das grandes coisas estão nas pequenezas,
E em cada miúdo detalhe me apego:
Uma pedra ou uma flor me chamam atenção
E constantes trazem sempre uma lição:
Se pedra, mesmo estática, é ainda movimento, a transformação pelo tempo, pelas ações da chuva ou do vento.
Qualquer pedra pode ser rocha, ou caverna, o registro ancestral de nossa gente.

Quando vejo qualquer flor, a natureza me diz
Mesmo simples é casa de bicho, e da alma humana, o sentido.
É semente, fruto, é a força da vida
Traz dulçor e beleza,
É ainda a mais exótica descoberta científica.

A natureza me fala todos os dias por miudezas
E seja pedra ou flor,
Sua fala é liberdade e força,
Silêncio e som
Conta segredos, mistérios,
Verdades infinitas.

A natureza é linguagem essencial
E há de se saber ler e ouvir sua voz.

Por meio da natureza me faço poesia
Contemplo,
Interiorizo,
Manifesto,
E reescrevo-me para ser, quem sabe ,
Mais humana
E sabiamente compreender, sou parte dela.

Paula Belmino

.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Maçãs para o ano novo






Véspera de ano novo.  Abre o guarda-roupa e estende sobre a cama o vestido branco. Olha-se no espelho, já tem os cabelos escovados e presos, a maquiagem feita, mas se apressa, já é tarde e na cozinha a ceia está sendo preparada: ave no forno, arroz à grega,  e descansadas na travessa  maçãs verdes para a  salada  Waldorf. 

Mexe a panela, espia o forno, põe a champanhe para gelar  e volta-se a preparar a salada.Enquanto retira as  finas fatias das cascas da maçã, ela relembra a infância quando não havia preparações para o ano vindouro,  todos os dias eram feitos de festa simples, de pé no chão,  roupa de qualquer cor e tecido, o prato na mesa era simples e feito no fogão à lenha, se esperava apenas saúde, paz e fartura na mesa. O futuro era o presente, vivido com alegria e encantamento.

 Cortou as maçãs e ao sentir o cheiro sorriu ao relembrar a primeira vez que alguém lhe disse ter plantado na frente da casa uma macieira, árvore esra que por anos foi vigiada por ela e pelas crianças da rua, aguardando verem nascer e amadurecer ali uma doce maçã verde, pois só viam a tal,  nas propagandas da tv e ainda assim em preto e branco. Lembrou ainda que houve quem dissesse ter visto a maçã cair no chão e ter provado, sentindo no paladar o seu sabor levemente ácido e aveludado,  da fruta do paraíso que atraiu por tentação Eva e Adão, verdinha, verdinha.

Agora ali, véspera de ano novo, corta entre as mãos enrugadas e trêmulas de ansiedade maçãs verdes tão facilmente encontrada nos supermercados,  por vezes insípida e sem encanto algum,  para a salada de nome estrangeira,  e também  sente-se estranhamente, pela terna  lembrança dos dias felizes que viveu sem esperar a virada do ano, com tantos preparativos,  e sem uma taça de champanhe espumada, ou uma ceia farta, mas faz para si um desejo de que para o ano novo a vida se achegue como maçã verde, doce, leve, aveludada, feito o desejo de criança descobrir o sabor da fruta desejada. Entre os preparativos para o ano novo, anseia apenas que ele venha doce e cheio de vida como uma simples maçã verde, doce, suculenta, nunca proibida,  mas ao alcance das mãos. 


Paula Belmino 



terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Menino Jesus

 



Na casa de Joca e Maria

Há sempre a chama acesa

Breve cheqa o Natal 

A manjedoura enfeita a mesa.


No simples presépio

A mais linda criança

Símbolo de amor, fé,

Alegria e esperança.


A lapinha convida a todos

Para ao menino adorar 

Tão simples, tão inocente,

Treme de frio a chorar.


Uma menina se achega

Tenta acalentar a Jesus 

É de louça o bebê 

Como também o santo na cruz.


Falta-lhe a destreza

Pois frágeis são suas mãos 

Deixa cair o Jesus menino

Aos dedos buliçosos dá lição. 


-Ai meu santinho! 

Acode Maria!_ Grita Joca.

A manjedoura  tá vazia!

Por socorro invoca.


A menina chora, pois

Não queria deixar vazio o berço 

Só aconchegar no colo

O dono do universo. 


E Maria se achega trazendo solução 

Tenta colar cada pedaço

O menino Jesus  sorri à criança 

Na sua alma dar um forte abraço. 


Jesus que sabe perdoar

E colar também coração quebrado 

Entende a linda inocência 

De quem ali chora ao seu lado.


E a menina logo se consola

Tudo volta ao normal.

Afinal é tempo de amor,  alegria,

É chegado o Natal!


E mesmo muitos anos passados 

Reaviva-se sempre a lembrança:

Na casa de Joca e Maria

Quebrou Jesus menino,  a criança. 



Paula Belmino

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A menina do poema era eu, que bem pequena quebrei o Jesus menino na casa de Joca, amigos queridos de meus avós.  Hoje lembrei vendo o presépio que minha sobrinha  Hadassa,10 anos fez.


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Desprendimento



Desprendo-me de mim mesma e
Alço voo na folha,
Que solta da árvore, flutua leve,
sem desmerecer a partida,
Apenas vai.
Esvai-se de si, do que foi,

Para ser nova estação,
Caindo ao chão, a transmutar-se.
Lanço-me ao solo fecundo da poesia
Para renascer das cinzas,
E a cada dia, ser novo rebento.
Quem me vê assim,
Tal a folha a voar no vento
Pensa ser loucura, o meu fim,
Mas é só desprendimento para ser,
Noutra vez, com muita cor e perfume
Flor no jardim.

Paula Belmino


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Delírio




É como se meu coração desfalecido
recebesse uma injeção de adrenalina
e descompassado em taquicardia,
voltasse a viver.
As batidas desenfreadas dizem teu nome
E na sensação de quase morte posso te ver, te tocar.
Ouço tua voz me chamar
E teu cheiro me conduz ao passado,
onde o infinito se reencontra pelo prazer,
Um mundo que só existe pelo sonho.
E a cada sinal de ti, deliro,
Canto, sorrio
Morro e vivo.
Passado e presente voltam a se encontrar,
E nossas almas se entrelaçam e dançam
Neste mundo etéreo criado pra nós.
E quando a matéria pensa em libertar nossos espíritos
O dia amanhece
E traz de volta a realidade
Embora, ainda preso em nós, o pássaro da saudade cante
Esse amor que ficou pra trás.

Paula Belmino

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

15 anos

 





Desde o primeiro dia 

Amei-te ao saber nem existir

Cada batida do coração 

O milagre a se descobrir.


E ao  ver-te pela primeira vez

O olhar de flor rara azul

Seu choro calou o meu,

No meu peito ansiedade murchou.


Não havia mais bela como tu

Primaverou-se para sempre minha vida

E tuas pequenas mãos 

A meu ser deu forte guarida.


Agora em seus quinze anos

Tudo se faz  jardim

A luz me abraçou 

O sol brilha só pra mim.


Desabrocha a primavera inteira

Em seus perfumes delicados 

Nas suas cores diversas

És a estação mais esperada.


Desabrochas no sorriso

Na ternura do teu olhar 

És toda vida a pulsar

E toda primavera a encantar.


Paula Belmino 

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Dia 5 de Outubro de 2021 minha Alice fez 15 primaveras.

Obrigada por existir meu amor Alice.  Feliz 15 anos e muitos longos e felizes  com sonhos realizados,  saúde,  paz e sabedoria.  


.*Fotografia de Ônio Lima