sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Oração de um dia novo





Dá-me Senhor um coração grato 
Para agradecer a vida
O ar que respiro 
O sonho realizado
E até mesmo o frustrado.

Dá-me Senhor um coração humilde
Para eu nunca esquecer 
As minhas origens,
A mão estendida,
O ombro amigo,
A única pessoa que me ame,
E as que eu  ame sem ser amado. 

Dá-me Senhor  uma alma feliz 
Na fartura ou na escassez
No tempo da crise ou de bonança.
Que eu seja simples como uma flor,
Como é  a criança.

Que eu nunca negue o  pão 
A quem tem fome 
Água fresca a quem tem sede.
Ofereça o repouso 
Uma cama, ou uma rede.

Dá-me Senhor um espírito cativo ao amor 
Gratitude sem esperar nada em troca
Benevolente a quem não me faz o bem 
Perdão a quem semeia o ódio.

Dá-me Senhor mãos para ajudar 
Mãos que selem concertos com a virtude. 
Mãos que plantem sementes do bem. 
Que  eu semeie a paz em tempos de guerra.

Dá-me Senhor a gratidão em todo tempo
Pois a gratidão é  exercício para a prosperidade, 
É o passo para a felicidade,
Sabendo que em tudo está Deus .

Paula Belmino 



terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Natal de verdade

 



Natalino


Ainda é Natal

Todo dia se espera o presente 

O Papai Noel virá?

Ainda é  Natal 

É tempo de esperança

De luzes a piscar

A família reunida

É Natal

O amor está no ar.


Todo dia deveria ser Natal

Não apenas o símbolo 

Mas o espírito a brilhar 

Natal o ano inteiro 

A paz a se espalhar.


Se o Natal verdadeiro 

Nascer em cada  coração 

A humanidade salvará!


Paula Belmino 

.

Recebemos um livro lindo sobre o Natal, um clima diferente, uma história que remete ao tema tão conhecido,  mas que traz o contexto de uma família pobre que anseia conhecer o Papai Noel e receber um presente. Na família de três irmãos, criada apenas pela mãe,  vive Natalino , seu nome  tem significados e herança,  o afeto,  o simbolismo. Natalino deseja viver o Natal que tantos falam, a mãe diz que o Papai  Noel não virá pois a casa tem cachorros que podem morder, e outros motivos o menino imagina para que ele não venha  aparecer . O livro é  escrito por @eliandrorocha e ilustrado por @alerampazo


Ao ler e ver as imagens que mostram um Natal simples numa família pobre, lembrei que quando criança não tínhamos árvores cheias de enfeites, gigantes, mas era meu avô quem fazia um espécie de árvore usando cabo de vassoura e arame, depois de pronta a base, minha mãe comprava papel seda verde e cortava , fazia cola com goma de tapioca , uma espécie de grude, e a gente montava , colocava-se as bolas, e um festão verde, ou dourado que brilhava luzinhas e acendia emoção em nossos corações.  Estes enfeites natalinos  eram guardadas de um ano para o outro numa caixa de sapato, com  muito cuidado. Enfeitava-se uma lata de leite com papel de presente, colocava-se areia e a árvore dentro, e embaixo dela um menino Jesus simples,  um anjinho, alguma imagem cristã como presépio . Ainda fazíamos uma vela usando as antigas latas de óleo  vazias coberta com papel camurça,  uma chama de cores diferentes e sob um prato de ágata,  ali a vela acesa, a luz do Natal  sob  a mesa. Pisca-pisca era coisa das casas abastadas  de nosso lugar.

Algumas amigas de minha mãe sabiam fazer sinos de papel de seda, nunca consegui, mas admirava o sininho a tocar no portal das casas, como quem badalasse convidando o Papai Noel  ou avisando que Cristo nasceu, era Belém,  e junto ao sono da matriz diziam: Cristo vem!


Nossa ceia não tinha perus, panetones, chesters, a iguaria era uma galinha criada no quintal, que se matava no dia,  e bem temperada,  cozinhava devagar numa panela  de barro em fogão à lenha ou carvão.  Servida  com  macarrão ou arroz  e farofa. Ás  vezes mamãe fazia salgadinhos ou pastéis com massa por ela estirada e cortadas bem feitos em óleo quente. Lembro que uma vez até estourou um pastel no óleo quente, e caiu  mim e na minha irmã e fomos dormir com as costas ardendo, cozinha não era lugar de criança. 


O Natal era diferente , era a família junta envolta da mesa , celebrando a vida.  Por sorte mesmo em meio à  simplicidade o Papai Noel  passava em nossa rua, num carro de som com muitos presentes e nos dava um copo com canudo, uma boneca de plástico, e  não entendíamos  porque ele não dava o que nós tínhamos pedido na carta que escreviamos e deixavámos  para ele. Outras vezes o Papai Noel deixava algo embaixo da nossa cama, é éramos advertidas: - Cuidado para não fazer xixi na cama, senão papai noel nao deixa o presente !

 A história de Natalino é  como a minha, como a de tantas  famílias, como o sonho de tcriantantasças,  e devia  ser mesmo e ter o real sentido supremo do Natal,  o amor em família,  o maior presente a vida, o afeto , as boas relações de amizade,  a esperança,  a fé,  o nunca perder o espírito da humildade,  do ser feliz nas pequenas coisas,  mesmo quando existem as dificuldades, as adversidades, saber que o tempo passa, o sino toca trazendo um dia,  a felicidade.


Paula Belmino 


📕 Natalino 

Livro escrito por Eliandro Rocha 

Ilustrado por Alexandre Rampazo

Publicado por  Escrita Fina Edições, pertencente ao Grupo Editorial Zit.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Natal é poesia





Natal de Jesus


É noite, 

Lá  se vão os reis

Seguem a estrela brilhante 

Luz guia  para o caminho

Ao encontro do filho de Deus.


Na pequena estalagem 

A vida raiou,

Maria dá  à luz,  

A luz para salvação do mundo.

Jesus chegou!


Numa manjedoura simples

Eis Jesus menino, 

Um  berço de simplicidade 

Para o recém-nascido.

Os reis chegam e o adoram

Com perfume, ouro e incenso 

Reverenciam a majestade.


Pastores e suas ovelhas, 

Também ouvem 

do céu a mensagem :

O rei Jesus nasceu 

Mostrando humildade.


 " Glória  a Deus nas alturas, 

e paz na terra

aos homens de boa vontade".  


Toda natureza vibra,

Silenciam os animais.

Na noite estrelada 

Só se ouve o cantar  dos anjos, 

E o rei menino dorme

Sob acalanto de seus pais.


A estrela de Belém brilhou 

É  Natal!

Nasceu Jesus, 

Cantem aleluia 

Nasceu o Rei da  paz. 


 Paula Belmino


Meu poema recitado por Alana Cavalcanti de Parnamirim para lhes desejar um feliz Natal 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

MOMENTO CULTURAL




Minha poesia do Livro A Menina que sabe chover fez parte do momento cultural da Tele aula de Parnamirim na Band RN
A Teleaula passa no canal local para que os alunos possam aprender nas aulas remotas e também se deleitar com arte e cultura.
A professora mediadora de leitura da Escola Municipal Antônio Basílio Vânia , a professora de música da mesma escola Anna Leandro e o professor Antônio Eliodécio da Escola Municipal Senador Carlos Alberto se reuniram numa linda cantata natalina, trazendo também trechos de livros de autores potiguares

Momentos lindos e reflexivos por meio da literatura, da arte, da música, levando poesia aos lares, pensando ser essa época do Natal, o tempo de agradecer as coisas simples da vida e renascermos cada dia, pessoas melhores.




sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dia da Consciência Negra


 

No dia da consciência negra, não esquecer o passado, mas sempre lutar para que no presente não se repita o preconceito, o racismo, e lutar por um futuro, agora, de paz e direitos iguais.

O professor Deyvis Castro de Teresina-PI fez este lindo vídeo com o poema que eu e  a Camila Angelis publicamos para tratarmos esta data de consciência que deve ser constante.















terça-feira, 17 de novembro de 2020

Dara, criança bonita



Dara, criança
Dara pretinha
Teus olhos são estrelas
Direcionam o caminho.
Tens alegria de sol
Teu nome significa bonito
Dara é a herança
Guardada em teu sorriso.
Teus cabelos de tranças
Contam histórias, segredos
Contos da mãe África
Mistério, aventuras, alegrias e medos.
Dara, linda criança
Preta, pretinha
Teus cachos são ondas
Conchas e algas marinhas.

Tuas mãos brincadeira
Tua cabeça em turbante
Conta história, canta cultura
Teu corpo, marcas de um povo distante.

Teu povo foi segregado
Ao trazerem pra cá
Além do oceano,
Além do imenso mar.

Dara criança festiva
Com sua saia colorida
Flores, fitas, formas,
De esperança fostes vestida.

Tua dança, tua arte
É música tua língua, e o teu gingar
Reflete luta, força, resistência
Que deve-se respeitar.

Dara menina
Preta, pretinha.
Resplandece o amor
Esta tua cor de rainha.

Na diversidade nos completamos
Não precisamos ser iguais.
Na cor, na alma, todos humanos,
Somos seres ancestrais.
Paula Belmino







Ouçam o poema pela bela Alana, aluna da Escola Municipal Edmo Pinheiro em Parnamirim-RN






segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Minhas Gavetas




Guardo em gavetas antigas amores sonhados, platônicos, iludidos, desejados, vividos.  Dentro delas, com perfume de alfazema a infância, as brincadeiras, as árvores antigas, onde a menina se atrevia a escalar, sempre mais alto, e o pai pelo senso comum, de certo machista, dizia que menina não subia em árvore, mas ela atrevida, num instante,   ia do chão ao mais alto galho, para sentir o calor do sol no rosto, o vento levar os cabelos, como se levasse as flores desabrochadas.

  Bem guardadas em gavetas envernizadas  pelo tempo, guardo nomes sagrados: meu avô  contador de histórias, minha avó  passarinho,  vizinhos amados  que já se foram, primos, amigos, todos que se encantaram no céu, e bem acomodados, os nomes que fazem minha alma,  anunciam, contam  quem sou.

  Guardo em gavetas forradas de cetim, os sonhos, as manhãs dos livros lidos e das histórias ouvidas e contadas, vividas.

 Guardo neste armário, de gavetas imagináveis, os nomes, os cheiros, gostos, cores amareladas,  jardins.

Guardo em gavetas,  um fichário incontável da  minha história,  minhas memórias,  toda a saudade, toda vida, a poesia que habita em mim.


Paula Belmino