Aconteceu nesta quinta-feira 14/12/17 a Formatura do Projeto Polícia Mirim em Lagoa Nova que tem por objetivo proporcionar as crianças envolvidas nessa proposta, momentos de reflexão
e aprendizagem, uma vez que se pretende também preparar, juntamente com a
família, escola e sociedade, crianças e adolescentes na esfera social,
permitindo que os mesmos possam ser integrados no meio ao qual estão inseridos,
sem discriminações, limitações e exclusões relativas ao nível social em que se
encontram, bem como prepará-los como agentes multiplicadores através do bom
exemplo, na busca por uma qualidade de vida capaz de dar a todos os mesmos
direitos e deveres. Além de ética, cidadania, os policiais mirins têm oportunidade de vivenciar outras atividades como esporte, defesa pessoal, aulas de higiene, reforço escolar, música entre outros temas abordados capacitando as crianças e dando a elas uma educação de qualidade.
Com o soldado Vagner
Alice, Carol e o Sd PM Geonardo Abdias
Alice e Ana Clara coronel da PPM na Cidade de Currais Novos
Com as amigas e o instrutor Daniel e o Cabo Thiago
Alice ficou muito feliz nessa primeira etapa do projeto ela era soldado , próximo ano vai por posto de cabo!
Com a mamãe
Com a vovó Cicera
Nossa família
Ela dando entrevista
A hora esperada: "Somos policiais mirins Nosso lema é união Estamos sempre juntos Pra cumprir qualquer missão." E assim os soldados se formaram!
Obrigada todos que contribuíram para esse grande sonho e
pela educação valorosa que lhe ajudou a se desenvolver tanto em termos de
responsabilidade, destreza, esporte, concentração, disciplina, aprendizagem,socialização,ética,moral, bons costumes, cidadania etc...
Só tenho a agradecer Major Moacir, Cabo Geonardo Abdias Soldado
Wagner e Cabo Tiago, Instrutor Daniel
Galvão , coordenadora Jahny Dias Carlos
Santana , secretaria de Educação e Gestão municipal na pessoa do
gestor Luciano
Santos , a todas as mães e pais que estiveram sempre a cuidar de
nossos filhos, inclusive de minha Alice nos acampamentos, viagens, desfiles
cívicos, etc..
Não há palavras para dizer de nossa gratidão. Meu muito
obrigada!
Sempre tentando além de educar para a vida por uma educação de qualidade voltada para as artes, para a literatura, a poesia, levo o olhar atento às coisas simples da vida, porém valorosas, como a humanidade e a sensibilidade. Assim buscando alento e inspiração para as crianças pudemos este ano estudar muito sobre a Poesia de Manoel de Barros, teve oficinas de pintura nas pedras, escrita de poemas pelas crianças e haicais inspirados em Manoel, dança, música e tudo quanto pode ser movimento e arte focalizada para desenvolver habilidades e competências.
As crianças puderam estudar a biografia de Manoel de Barros, conhecer um pouco de suas amizades como o amigo Bernardo a quem sua obra cita, o lugar onde viveu, a vegetação do cerrado, o clima, os pequenos seres como rãs, formigas, bem-te-vis pelos quais Manoel se inspirava e brincava, para uma vida mais perto da natureza por amor e respeito à ela. E levam agora para a vida toda todo esse conhecimento contextualizado com as disciplinas, mas dentro do coração essa poesia bonita e tão importante da nossa literatura pra reinventar-se.
Ontem recebemos o convite para se apresentar numa Escola de Ensino Médio de tempo integral aqui em nosso município, a Escola Estadual Angelita Félix. Fomos e recitamos, brincamos, as crianças puderam se expressar com os poemas:
Os girassóis de Van Gogh
Bernardo
O silêncio Branco
A minha Alice tocou e cantou: O menino e o rio e depois pudemos visitar as salas com a exposição dos trabalhos
Vejam um pedacinho de duas apresentações, infelizmente não pude gravar tudo, mas consegui esses vídeos. Se acaso achar outras compartilho com vocês
Bernardo
Bernardo, de Manoel de Barros
Bernardo já estava uma árvore quando
eu o conheci.
Passarinhos já construíam casa na palha
do seu chapéu.
Brisas carregavam borboletas para o seu paletó.
E os cachorros usavam fazer de poste as suas
pernas.
Quando estávamos todos acostumados com aquele
bernardo-árvore
ele bateu asas e avoou.
Virou passarinho.
Foi para o meio do cerrado ser um arãquã.
E o Silêncio Branco:
E isso foi só um pedacinho da poesia vivida!
Por uma Educação que abranja conteúdos, mas muito mais a humanização, sensibilidade e apreço pela natureza, valores e cuidados para com
o outro e consigo mesmo.
Por uma educação que construa o conhecimento formal e
cientifico, mas que além dele e do saber gerir fórmulas e regras matemáticas, promova novos olhares, para as coisas simples da
vida e com igualdade garantir o respeito à diversidade e à inclusão.
Por uma educação que forme para dar condições às crianças de ser um bom aluno, para com bom estudo poder adentrar universidades, mas que desde hoje, acima de tudo garantam a ela a educação que pensa nela como cidadão como cidadão,
como ser de direito, como alguém que aprende brincando e deve sim, demonstrar
suas emoções, bem além de suas conquistas.
Por uma educação com empatia e com poesia, com arte e
música, considerando as particularidades de cada um e seus saberes e fazendo
deles o ponto de partida para conhecer grandes nomes de nossa história.
Por uma educação significativa que eduque para ler por
prazer, para escrever sabendo as finalidades dos diferentes gêneros textuais, e que norteie a ciência e a capacidade de pensar, criar, construir, se reinventar.
Por uma educação que arda no coração, e construa memórias
afetivas através dos livros.
E assim por eles as crianças aprendam o que quiserem, e possam ser o que sonham ser!
É assim que quero continuar fazendo parte da Educação!
Paula Belmino Deixo também a poesia Sombra Boa tocada e cantada por Alice
Trabalhei com as crianças a obra de van Gogh e a poesia
de Manoel de Barros
Como poesia não é pra se explicar, apenas expressar,
sentir , e pela palavra explorar temas e sentimentos do mundo deixei que as
crianças pudessem falar sobre o que sentiam com o poema que de início parecia
ser algo difícil de se trabalhar com as crianças,mas e que temas devem ser
abordados com elas, senão também as dores, o luto, as guerras, a questão dos
refugados, dos órfãos, dos que não tem pátria e lar, nem pão e pouco menos
amor?
Li uma vez:
"Os girassóis de Van Gogh", de Manoel de Barros
"Hoje eu vi
Soldados cantando por estradas de sangue
Frescura de manhãs em olhos de crianças
Mulheres mastigando as esperanças mortas
Hoje eu vi homens ao crepúsculo
Recebendo o amor no peito.
Hoje eu vi homens recebendo a guerra
Recebendo o pranto como balas no peito.
E como a dor me abaixasse a cabeça,
Eu vi os girassóis ardentes de Van Gogh."
Manoel de Barros
Dai pedi para me dizer o que sentia, que tipo de
sentimento vinha sobre o coração deles.
No início disseram que achava que Manoel falava da
solidão e da dor de Van Gogh, pois estudaram sua vida, a solidão no hospício,
a maneira de retratar com a arte, como nas obras: Quarto em Arles
Mas ai fui intervindo frase por frase, verso
por verso, cada um lendo uma parte em voz alta com ritmo, e eu entonava como quem sofre e chora e quer dizer algo ao mundo, esmiuçando o que não se pode explicar, já que poesia não precisa de
razões para falar de sentimentos, por si só é todo sentido, no entanto como crianças ainda imaturas precisava instigar, e ir
além do senso comum, criar espanto e assombros.
Para eles chegarem a essa compreensão e interpretação fui
intervindo tipo:
O que vocês acham que significa soldados cantando por estradas
de sangue? Seria um canto de felicidade?
Até um dos meninos dizer: ele canta de
gratidão porque ficou vivo.
outros disseram: Os soldados cantam em meio ao sangue
dos mortos na luta, mas de tristeza, e também para agradecer pois conseguirá
voltar pra casa.
E de novo eu indago: E o que dizer sobre frescura de manhãs em
olhos de crianças? uns de inicio achavam que é porque as crianças tem frescura , ela achava que frescura era birra, fazer bico, até ir no sentido da palavra frescura de fresca, limpa, de bom clima, até ai entenderam e disseram:
"as crianças são tão puras que nos seus olhos
mostram isso, amor, vida, um ar de alegria como o dia que nasce. " Jamilli
E ai depois que entenderam que falávamos de guerra e da
luta pela paz, das dores do mundo saíram frases assim:
"As mulheres mastigam esperanças mortas pois não
verão seus maridos, remoem seus pensamento, seus sonhos" Hellias
Eu mais uma vez desafio:
Que homens receberiam a guerra?
Eles:
Os que matam todo dia!
Os que faz violência por pouca coisa.
Os que tem ambição!
E por fim:
Mas será que Manoel de Barros via a obra de Van Gogh, ou
seria uma plantação de girassol?
Depois que eles puderam compreender que antes de Van Gogh
usar as cores suas obras eram muito escuras a só quando ele foi para Paris conheceu o Impressionismo ele começa usar a
técnica de luz, cores, principalmente o amarelo
Uma aluna me diz:
"Ele queria dizer que mesmo na dor com a cabeça
abaixada a luz podia aparecer. Maria Eduarda"
Ele falava da guerra, da dor das mães sem filhos, dos que
perdem seus pais, a esperança, mas mesmo na dor de repente surge a luz. Maria
Clara, Maria Luiza
E por fim:
Só pode nascer uma flor pra provar vida né tia? Ryan
E Eduarda me diz:
Mesmo na guerra há a busca pela paz!
E ai eu entendi Manoel de Barros:
"e, como a dor me abaixasse a cabeça,
eu vi os girassóis de Van Gogh.
Assistam eles recitando e mostrando as artes deles:
Me espantei de alegria e gratidão! Além de Van Gogh as crianças também fizeram releituras da obra de Tarsila do Amaral
Alice guarda a camiseta da Lenita voadora que ainda bem pequena recebeu da Anne Lieri, sempre bem perto do peito, do
coração, amizade e sensibilidade à flor da pele, literalmente!
Chegou por aqui o livor da querida amiga, a nossa menina voadora Anne Lieri: Circo de guarda-chuva pela Editora Delicatta
O livro é narrado por um personagem muito diferente que não vou contar aqui para não estragar a surpresa, mas as crianças na escola amaram descobrir a história de um menino que nasce de uma família circense e tem sua infância repleta de brincadeiras, de inventar carrinhos de papelão, de circo de guarda-chuva, de brincar com os melhores amigos Marinho, um menino esfomeado que adorava pão com mortadela. Afonsinho um menino magrelo que a mãe vivia dando vitamina, mas que ele oferecia ao menino personagem principal dessa história e Tininha, a irmã do menino, Juntos vivem grandes aventuras na rua e na escola, onde a professora Dona Áurea ensina com amor, mas é rígida e não permite conversas paralelas. O menino adorava as aulas de história para conhecer mais sobre o Brasil e sonhar um dia poder viajar com a família no circo, pois ele passava o não estudando e só nas férias é que podia ficar com a família no circo onde vendia doces, pirulitos e pipoca.
Uma história de memórias afetivas da bela infância ilustrada por Carlos Klen.
As crianças na escola ouviram a leitura por mim e depois puderam ler por capítulos em trio, duplas e ao final cada uma fez a exposição de como compreendeu a leitura.
Depois ilustraram, reescreveram e criamos nossos circos usando um cone de papel, sempre aliando o conteúdos dos sólidos geométricos, de como transformar uma folha em forma de quadrado, numa figura tridimensional com base circular. As crianças pintaram, criaram os personagens com palitos.
E os textos ficaram maravilhosos:
Essa é a história real que pode ser a de tantas crianças que mesmo em meio à pobreza e na ausência de tudo ter a criatividade e o sonho, não perdendo a fé e com a ajuda da educação se tornar num artista como é o caso desse menino.
Para saber mais e adquirir o livro entre na loja virtual da Delicatta